No último sábado (27), as obras de readequação da Rua João Régis, uma das vias mais tradicionais de Paranaguá, chamaram atenção após a descoberta de uma estrutura subterrânea em frente à Catedral Diocesana. O local, que estava passando por revitalização no calçamento de pedras, foi palco de um grande burburinho nas redes sociais, onde imagens da suposta “descoberta de um túnel” se espalharam rapidamente.
Moradores e curiosos, principalmente nas redes sociais, ficaram intrigados com as imagens que mostravam uma cavidade abaixo da rua, o que gerou especulações sobre a existência de túneis secretos, muitas vezes relacionados a lendas históricas sobre a cidade. Mas será que essa estrutura realmente é um túnel, ou trata-se apenas de algo mais comum, como uma galeria de águas pluviais?
Esclarecimento da Secretaria de Obras
A resposta vem do secretário de Obras de Paranaguá, engenheiro Ozéias Rebello, que afirmou que a estrutura encontrada trata-se de uma galeria de drenagem, provavelmente construída nas décadas de 1960 ou 1970. A galeria, que mede aproximadamente 50 cm por 50 cm, foi identificada durante a revitalização da base dos paralelepípedos da rua, e, embora no vídeo tenha dado a impressão de ser maior, é uma obra voltada para o escoamento das águas pluviais.
Contexto histórico e geográfico da cidade
O professor e historiador Hamilton Ferreira Sampaio Júnior explica que, embora o rumor sobre um túnel tenha ganhado força, a história não sustenta a ideia de túneis secretos sob Paranaguá, principalmente se considerarmos o contexto geográfico da cidade, que foi construída sobre terrenos alagadiços. A estrutura encontrada não tem relação com os populares “túneis dos jesuítas”, como muitos especularam.
Ele também observa que a galeria encontrada é uma construção da década de 1960 ou 1970, uma época em que o uso de cimento começou a se tornar mais comum nas construções brasileiras. Isso foi um indicativo importante para o historiador, pois a presença de cimento na galeria é clara, o que contrasta com os métodos de construção da época colonial ou dos jesuítas, que não utilizavam esse material.
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Com relação à sua função original, a galeria provavelmente foi projetada para captação e escoamento das águas da chuva, uma necessidade básica de infraestrutura urbana. Além disso, o historiador afirma que não é incomum encontrar esse tipo de estrutura subterrânea em outras partes do centro histórico de Paranaguá, especialmente nas áreas mais antigas da cidade. A presença de galerias de drenagem, como a encontrada na Rua João Régis, é uma característica comum em cidades que precisavam lidar com os desafios do escoamento da água da chuva.
Lendas populares e o imaginário local
Por fim, o historiador Hamilton ainda aborda as famosas lendas de túneis e tesouros escondidos pelos jesuítas, que muitos moradores acreditam estar sob a cidade. Embora ele reconheça que as histórias fazem parte do imaginário popular, ele acredita que não há nenhum fundo de verdade nessas narrativas. No entanto, ele não descarta completamente a possibilidade de descobertas futuras. “A ausência de descobertas até o momento não significa que tais estruturas não existam”, afirma o historiador, mantendo a chama da curiosidade acesa.













