O Consórcio Intermunicipal de Saúde do Litoral do Paraná (CISLIPA), responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), vive uma grave crise administrativa e financeira. A situação se agravou desde que o prefeito de Paranaguá, Adriano Ramos, assumiu a presidência do consórcio em janeiro deste ano. Logo no início de sua gestão, Ramos promoveu o aumento dos repasses mensais por parte dos municípios, ampliou cargos e anunciou um reajuste de 30% para os profissionais do SAMU.
As decisões causaram forte reação dos prefeitos dos demais municípios. Nesta semana, o prefeito de Matinhos, Eduardo Dalmora, foi categórico ao declarar, em entrevista ao Blog do Matraca: “Incompetência e má gestão, eu tô fora!”. Ele anunciou que Matinhos está deixando a regulação da CISLIPA e aderindo ao COMESP – Consórcio Metropolitano de Serviços do Paraná.
Segundo Dalmora, a nova adesão ao COMESP vai permitir que Matinhos pague R$ 60 mil por mês, valor muito inferior aos R$ 180 mil mensais exigidos atualmente pela CISLIPA. Além da economia de R$ 120 mil, o município também deve receber uma ambulância Alfa de suporte avançado. Pontal do Paraná, que também rompeu com o consórcio, deve receber uma ambulância Bravo, de suporte básico.
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A CISLIPA, por sua vez, acumula uma dívida superior a R$ 20 milhões, valor que ultrapassa o próprio orçamento anual do consórcio. A situação gerou preocupação e protestos entre os servidores do SAMU, que temem demissões com a mudança da regulação para Curitiba, decisão tomada em comum acordo entre os secretários de saúde dos municípios litorâneos.
Reações e articulações
O prefeito de Guaratuba, Maurício Lense, e o prefeito de Pontal do Paraná, Rudão Gimenes, também demonstraram insatisfação com a gestão de Adriano Ramos. Rudão esteve em Brasília representando as três cidades (Pontal, Matinhos e Guaratuba) para formalizar a adesão ao COMESP. A medida visa garantir atendimento mais eficiente e economicamente viável, diante do cenário de instabilidade da CISLIPA.
Atualmente, a única ambulância Alfa do litoral está localizada em Paranaguá, o que gera críticas sobre a concentração dos recursos do consórcio.
Paranaguá enfrenta crise no sistema de saúde
Enquanto o consórcio enfrenta protestos e abandono por parte dos municípios, a cidade de Paranaguá vive uma crise generalizada no sistema de saúde pública. Há déficit de atendimentos, especialmente entre os pacientes vinculados à Secretaria Municipal de Inclusão, que dependem da rede pública para procedimentos e serviços essenciais.












