Na Semana do Meio Ambiente, uma notícia animou profissionais da áreas e amantes da luta pela preservação das espécies. Uma baleia jubarte, um jovem-adulto com aproximadamente 12 metros de comprimento, foi avistada próximo à Baía das Laranjeiras, em Guaraqueçaba, no litoral paranaense.
O avistamento deste mamífero só foi possível graças a um monitoramento do Instituto Água e Terra (IAT), órgão ligado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (SEDEST), em parceria com o Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), que montou uma operação para tentar entender melhor o comportamento das jubartes.
Entre os dia 26 de maio e 1º de junho, técnicos ambientais dos dois órgãos, com suporte do Centro de Operações Aéreas (COA) do IAT, peregrinaram de ponta a ponta o Litoral. Neste experimento, conseguiram monitorar diversas de outras espécies como golfinhos e toninhas.
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Os especialistas explicam que a jubarte é um animal que habita a região da Antártica e migra nesta época do ano para se reproduzir em águas mais quentes, entre o Espírito Santo e a Bahia, sendo o Litoral do Paraná parte da viagem migratória. Os técnicos ambientais ainda acreditam que seja mais frequente essa cena nesses próximos meses.
Para os profissionais do IAT, este encontro servirá de subsídios para pesquisas futuras que vão monitorar a presença do animal no Estado, com foco em ações de educação ambiental e para nortear processo de licenciamentos ambientais na região.
“Durante esses voos catalogamos todos esses animais, marcamos os pontos para poder mostrar para a população que, sim, esses animais estão se reproduzindo. Queremos aprender para conservá-los, para tenham o menor impacto possível quando estiverem por aqui”, afirma o técnico em Meio Ambiente do IAT, Rafael Galvão.
O técnico do IAT diz ainda que é essencial pensar nessa rota das baleias também nos processos de emissão de licenciamentos ambientais, já que intervenções na região não podem perturbar a vida marinha. “Temos noção de que essa espécie tende a se procriar cada vez mais na costa brasileira. Por isso precisamos de um mar compartilhado, que contemple esses múltiplos usos, pensando, claro, nesses animais, que garantem a produtividade do oceano”, diz.
DESAFIOS DE PRESERVAÇÃO DA ESPÉCIE
A bióloga e pesquisadora Camila Domit, do LEC-UFPR, explica que as aparições desse mamífero em águas paranaense são um bom indicativo da recuperação da espécie e da preservação do ambiente, já que desde 2014 as jubartes estavam ameaçadas de extinção. “Elas geralmente fazem rotas mais abertas, ou seja, navegam mais pela zona oceânica até chegar ao Sul da Bahia. Com a recuperação dessas populações, temos um ótimo indicador de saúde ambiental”, explica Domit.
Mesmo com os ótimos indicadores, esses mamíferos seguem correndo riscos, preocupando ambientalistas e intensificando a ampliação de projetos para a proteção do meio ambiente. “Essa aproximação das baleias com a zona costeira traz um grande desafio que é a sobreposição das áreas de uso desses animais com as áreas que hoje são ocupadas por atividades humanas, como a exploração de minério, as atividades portuárias de grandes navegações e atividades pesqueiras. Precisamos, então, educar, para que as pessoas saibam como respeitar e conviver com as baleias”, diz a pesquisadora.












