Qual é o limite do esporte? O corpo? A mente? Existe um limite? Cada vez mais o esporte vem se utilizado de uma prática social muito benéfica para todos os envolvidos, a inclusão.
A equipe de reportagem do portal de notícias O LITORAL DO PARANÁ foi convidada para conhecer uma turminha casca grossa, é a equipe infantil de Jiu-jitsu do Projeto Social Robert Pit Bull, da Serraria do Rocha. Entre esses aspirantes a atletas profissionais do esporte, meninos e meninas, encontramos o Pedro, de apenas 10 anos. Pedrão, como é conhecido no tatâme, possui uma condição genética de alteração cromossômica chamada popularmente de Síndrome de Down. Durante as aulas, ele é um aluno como qualquer outro, não tem moleza, passa por todas as etapas do treino rigorosamente, como o aquecimento, a instrução da técnica, o desenvolvimento da técnica e o famoso “rola”. “Poder contribuir para com o jiu-jitsu do Pedrão é uma alegria para mim. Ainda é tudo novo esse universo particular deles, então eu preciso estar sempre conversando muito com os pais e estudando muito sobre o assunto sempre, pois cada atípico tem suas características que precisam ser respeitadas”, enfatiza Robert Figueira, professor e coordenador do projeto social de Jiu-jitsu.
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No esporte, a inclusão é um tema cada vez mais discutido e valorizado. Ela se refere à criação de oportunidades iguais para pessoas de todas as habilidades, gêneros, idades e contextos socioeconômicos participarem de atividades esportivas. O professor do Pedro é um defensor da bandeira da inclusão nos tatâmes. Para ele, o jiu-jitsu também é uma ferramenta de inclusão, de disciplina e coordenação motora. “É uma grande satisfação saber que eu consigo ajuda-los nesse caminho. Porém, existe também uma grande troca, eles também me ajudam muito a ver o mundo de outra maneira, a elaborar formar diferentes de ensinar, todos os dias é um novo desafio”, explica Robert.
AMIZADES E LIMITES
Para o professor Robert, um dos grandes desafios de ensinar é conhecer os limites dos alunos tantos os típicos como os atípicos. “A inclusão está não apenas com o Pedrão em frequentar as aulas regulares, mas também com os outros alunos em saber respeitar o limite do colega. Como todos aqui conhecem o limite do Pedro, quando eles estiverem em outra situação, com outras crianças também saberão respeitar suas peculiaridades. A gente evita o bullying aqui”, enfatiza.
Em todas as técnicas de solo, o Pedro conta um parceiro que é “um fiel escudeiro”, o José. Ele ajuda o Pedrão a desenvolver a instrução passada pelo professor, trabalha a movimentação e ainda fica na torcida lateral quando é preciso. “Eu sempre vou ajudando ele a evoluir para ser um bom lutador com qualquer outro aqui”, diz José Emanuel Simão Leopoldino, 13 anos.
José explica ainda que não há diferenças dentro do tatâme e que o Pedro é um aluno como qualquer. “Somos muito amigos, desde o primeiro dia em que ele chegou aqui a gente treina juntos”.
Robert Figueira resume em uma única frase a relação de todo o grupo com esse atleta especial. “Aqui quem está aprendendo com o Pedro, somos nós”, declara o professor.
FAMÍLIA E CUIDADOS
Durante os treinos, os pais do pequeno Pedro acompanham tudo bem de perto para não perderem nenhum detalhe. Além de cuidadosos, eles são também grandes incentivadores do esporte. Afinal, o jiu-jitsu também é uma defesa pessoal. “Queremos que nosso filho seja independente, autossuficiente, que saiba se cuidar. É preciso prepará-lo para o mundo e isso quer dizer que ele deve aprender a se defender também”, diz o pai Cristian Batista.
Cristian conta ainda que conversa com o filho em casa e explica que os golpes devem ficar restritos às aulas, e sempre sob a orientação do professor.
Entre um papo e outro, o pai confidenciou a evolução comportamental do Pedrão após o início nas aulas de Jiu-jitsu. “Nosso filho está muito mais comunicativo, integrado ao mundo e receptivo as pessoas. Foi uma mudança maravilhosa para nós, para ele e com certeza para as pessoas que os cercam”, conta emocionado.
Porém, convencer a mãe a deixar o filho fazer uma defesa pessoal não foi tarefa fácil. Márcia Batista não era a favor que o Pedro fosse treinar uma luta, a aflição de mãe falou mais alto. “Este tipo de preocupação é comum e a gente tem em todo lugar em que nós vamos. Contudo, aqui ele foi muito bem acolhido não só pelo professor mas pelos colegas também. De início, ele chegou e já foi logo abraçado pelos outros participantes. Hoje, ele conhece cada um pelo nome e treina com todos eles. Sou muito grata por ver o quanto meu filho é querido”, declara a mãe.
EM DEFESA DO PAN-AMERICANO
A cidade de Itapema, litoral de Santa Catarina, vai sediar o Campeonato Pan-americano de Jiu-jitsu, no dia 26 deste mês. Pela primeira vez, será incluída uma categoria especial para os Kids, e o Pedro estará nela representando Paranaguá. “Quando o Robert veio com a sugestão de encaixar ele na categoria para síndrome de down aceitei de pronto, e o Pedro ficou muito empolgado com a possibilidade. Vai ser uma boa experiência ver como ele se comporta em meio a tanta gente”, salienta Cristian Batista.
A equipe do O LITORAL DO PARANÁ fica na torcida e deseja sucesso a esse atleta encantador, pois garra e coragem não vai faltar.












