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Tragédia das Águas de Março completa 15 anos e ainda marca a história de Morretes

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Litoral do Paraná relembra enchentes e deslizamentos que devastaram cidades em 2011

A despedida do verão de 2011 ainda é uma ferida aberta para quem vive no Litoral do Paraná. Entre os dias 10 e 11 de março daquele ano, a chuva caiu sem trégua, provocando enxurradas, enchentes e mais de 2.500 deslizamentos de terra, no episódio que ficaria conhecido como Águas de Março.

Em apenas 48 horas, o volume de água ultrapassou em muito o esperado, com acumulado de até 398 milímetros de chuva na região litorânea. As cidades de Antonina, Morretes, Paranaguá e Guaratuba estiveram entre as mais atingidas, com comunidades inteiras isoladas, prejuízos à infraestrutura e destruição de moradias.

O impacto humano também foi profundo: 10.761 pessoas ficaram desalojadas e cerca de 2.500 precisaram deixar completamente suas casas, tornando-se desabrigadas. Mais de 800 moradores foram resgatados em operações de emergência por terra e com uso de helicópteros, devido às áreas de difícil acesso no meio dos deslizamentos.

Em Morretes, um morro inteiro cedeu e diversas localidades ficaram isoladas, enquanto as principais vias de ligação ao Litoral também sofreram danos. Pontes da BR-277 foram destruídas pela enxurrada e a BR-376 registrou queda de barreiras, o que dificultou por dias a chegada de ajuda por terra às famílias atingidas.

No total, os deslizamentos danificaram 3.790 imóveis em quatro municípios e destruíram completamente outras 223 casas, mudando a paisagem de vários pontos do Litoral. Depois da tragédia, o Governo do Paraná viabilizou a construção de novas moradias e o reassentamento das famílias, incluindo 85 núcleos familiares realocados em Morretes.

O episódio das Águas de Março se tornou um divisor de águas para a gestão de riscos no Estado, especialmente na atuação da Defesa Civil. Entre as medidas adotadas está o Sistema Informatizado de Defesa Civil (SISDC), que reúne dados sobre ocorrências, áreas de risco e planos de contingência dos 399 municípios paranaenses e foi aperfeiçoado a partir do desastre no Litoral.

O SISDC ganhou reconhecimento internacional e, em 2015, recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas, por meio do Escritório de Estratégia Internacional para Redução de Desastres, pelo uso de tecnologia na prevenção e resposta a desastres naturais. Outra iniciativa importante foi a criação do Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CEGERD), inaugurado em 2017, que faz o monitoramento em tempo real das condições meteorológicas, 24 horas por dia.

O Paraná também passou a investir em sistemas de alerta à população, com envio de mensagens por celular, como SMS, WhatsApp e outros canais, permitindo avisar moradores com antecedência sobre riscos de temporais, enchentes e deslizamentos. Esses recursos, aliados ao mapeamento de áreas de risco e à realização de simulados em comunidades, buscam evitar desastres com a mesma gravidade registrada em 2011.

Em Morretes, as lições deixadas pelas Águas de Março reforçaram a necessidade de planejamento e preparação diante dos efeitos do clima. Em 2025, o município criou a Secretaria Municipal de Resiliência Climática e Defesa Civil, ampliando a estrutura local para atuar na prevenção, no monitoramento de áreas vulneráveis e na resposta rápida a eventos extremos.

A secretaria trabalha em parceria com órgãos estaduais e federais, promovendo ações de orientação à população e organizando planos de contingência para reduzir os impactos de futuras ocorrências. O foco é fortalecer a cultura de prevenção e aproximar o poder público das comunidades, para que todos saibam como agir em situações de risco.

Quinze anos depois, as Águas de Março permanecem como um marco na história do Litoral do Paraná, não apenas pela destruição que provocaram, mas também pelo alerta definitivo sobre a importância da prevenção e do trabalho conjunto entre autoridades e moradores. Ao ser lembrado neste mês, o episódio reforça o compromisso com políticas de resiliência e segurança para proteger vidas diante de eventos climáticos cada vez mais intensos.

Fonte: Prefeitura Municipal de Morretes; Governo do Estado do Paraná

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