Porto paranaense apresenta roteiro para cortar gases de efeito estufa e se alinhar às metas globais de clima
A Portos do Paraná lançou o Plano de Descarbonização em evento no Palácio Taguaré, sede administrativa da empresa, dando mais um passo na agenda climática do litoral paranaense. O documento traça ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e alcançar a neutralidade de carbono até 2050, em sintonia com metas internacionais para o setor marítimo.
Elaborado pela Fundación Valenciaport, centro de inovação ligado ao Porto de Valência e referência em transição energética e combustíveis renováveis, o plano começa a partir de um inventário detalhado das emissões do complexo portuário. O levantamento seguiu o padrão internacional GHG Protocol e o Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, reconhecidos mundialmente para medir e reportar gases de efeito estufa.
O estudo apontou que, no período analisado, as operações portuárias no Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, divididas em três escopos. As emissões diretas da Autoridade Portuária (Escopo 1) responderam por 2,7% do total, enquanto as emissões indiretas do consumo de energia elétrica (Escopo 2) representaram 0,1%. Já o Escopo 3, que engloba terminais, transporte terrestre, serviços de apoio e navios, concentrou 97,1% de toda a poluição medida, mostrando que a maior parte do desafio está nas atividades associadas ao porto.
A partir desses dados, o plano prevê iniciativas em todas as frentes, como eletrificação de equipamentos, ajustes em processos operacionais e novos padrões voltados à redução contínua de emissões. A próxima fase será a formação de grupos de trabalho com a comunidade portuária para tirar os projetos do papel e incorporar as mudanças no dia a dia das operações.
O processo também envolve um trabalho colaborativo com operadores privados. O inventário de emissões exigiu o engajamento de empresas instaladas no entorno, etapa considerada uma das mais desafiadoras pelo gerente de Meio Ambiente da Portos do Paraná, Thales Trevisan, que relata o contato direto com cada companhia para avaliar o estágio de seus próprios inventários.
Entre as empresas presentes, a Catallini Terminais acompanha o tema desde 2021, quando iniciou seu inventário de gases de efeito estufa, e projeta colocar em prática o próprio plano de descarbonização ainda em 2026. A Cotriguaçu, por sua vez, começou neste ano a medir oficialmente suas emissões para embasar futuras metas, em alinhamento com demandas do setor portuário e iniciativas como a Aliança Brasileira para Descarbonização dos Portos.
O evento de apresentação reuniu público no auditório e mais de 100 participantes on-line, com pitches de soluções sustentáveis e exposição de tecnologias na área externa. O Grupo Borelli mostrou o uso de caminhões abastecidos com gás natural veicular na rota entre o interior do Estado e Paranaguá, enquanto a Linck Máquinas, representante da Volvo, destacou as vantagens da pá carregadeira elétrica em operações portuárias.
Para reforçar o incentivo à redução de emissões, o estudo identificou que 89,2% dos gases de efeito estufa da região portuária em 2023 vieram dos navios, e não da estrutura do porto. Nesse cenário, a Autoridade Portuária concede prioridade de atracação aos chamados “navios verdes”, embarcações com melhor desempenho ambiental, conforme previsto no Regulamento de Programação, Operações e Atracações de Navios de 2023, que favorece matrizes energéticas menos poluentes.
A Portos do Paraná também acumula participação na Conferência das Partes (COP), da ONU, desde 2019, e mantém parceria com o Porto de Rotterdam, na Holanda, em projetos de energias renováveis em Paranaguá e Antonina, dentro do programa Green Ports Partnership, firmado em 2023 com duração de três anos. Além disso, o porto paranaense é hoje o único porto público do Brasil com certificação EcoPorts, referência internacional em gestão ambiental portuária.
O diretor de Transição Energética e Descarbonização da Fundación Valenciaport, Josep Sanz, resumiu a estratégia ao afirmar que a melhor forma de impulsionar a sustentabilidade é demonstrar que a transição energética traz desafios, mas também oportunidades de negócio e ganhos competitivos para o setor.







Fonte: Governo do Paraná












