Presidente sinaliza a aliados que pode reenviar o nome de Jorge Messias ao Senado antes das eleições de outubro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a aliados que pretende insistir na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, mesmo após a rejeição do nome pelo Senado em abril, por 42 votos a 34, numa derrota considerada histórica para o governo. Lula avalia reenviar a indicação ainda antes das eleições municipais de outubro, embora não haja garantia de mudança no placar e nem um acerto fechado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado como um dos articuladores da primeira derrota.
Segundo interlocutores do Planalto, o “ponto de virada” para Lula foi a posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, quando Messias, atual advogado-geral da União, foi longamente aplaudido em cerimônia que o presidente interpretou como gesto de respeito e espécie de desagravo. Alcolumbre, porém, não aplaudiu nem cumprimentou Lula, o que expôs o mal-estar entre os dois.
Antes dessa solenidade, Lula e Messias já haviam se reunido duas vezes após a rejeição no Senado, e aliados do advogado-geral afirmam que ele só aceitaria uma nova indicação se houvesse forte segurança de aprovação, para evitar um segundo desgaste. Após o revés, Messias entrou em férias, com retorno previsto para 26 de maio, e recebeu apoio de juristas próximos ao governo, aliados e lideranças evangélicas, que dizem vê-lo como vítima de um jogo político-eleitoral, e não de questionamentos sobre sua reputação ou capacidade técnica.
A vaga no STF está aberta desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025, e a rejeição do Senado a um indicado para a Corte não ocorria desde 1894, o que ampliou a leitura de crise política para o Palácio do Planalto. Paralelamente, chegou a circular a hipótese de Messias assumir o Ministério da Justiça, mas essa alternativa, por ora, perdeu força, em parte porque o atual titular, Wellington César Lima e Silva, é alvo de críticas internas e porque o mandato de Lula está na reta final, o que tornaria a pasta menos atraente para o advogado-geral.
Fonte: R7
Imagens: R7












