Programa de renegociação do governo federal anima quem está com contas atrasadas e gera expectativa positiva para a economia
Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 68% dos brasileiros endividados acreditam que vão se beneficiar diretamente da segunda fase do Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Entre todos os entrevistados, 82% afirmam enxergar efeito positivo do programa sobre a economia do país.
Mesmo quem não tem dívidas também vê impacto: 39% dos não endividados dizem que o Desenrola 2 pode ajudar suas finanças pessoais e 73% acreditam em reflexos favoráveis para a economia como um todo. Esses índices superam a taxa dos que avaliam o governo como ótimo ou bom e dos que aprovam o trabalho de Lula.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios entre 12 e 13 de maio, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Os mais otimistas com a nova rodada do programa são jovens, moradores do Nordeste e eleitores do presidente.
Lançado em 4 de maio, o Desenrola 2 terá duração de 90 dias e já renegociou cerca de R$ 10 bilhões em dívidas bancárias. O governo federal reservou até R$ 15 bilhões para garantir o pagamento aos bancos em caso de calote e autorizou ainda o uso de até R$ 8,2 bilhões do FGTS pelos devedores.
O programa oferece descontos que podem chegar a 90% do valor devido, com juros limitados a 1,99% ao mês, e é voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos. Parte dos bancos, porém, demorou alguns dias para colocar todas as condições no ar, e em alguns casos houve apenas pré-cadastro no início.
O uso do FGTS para abater dívidas só estará disponível a partir de 25 de maio, cerca de 20 dias após o lançamento do programa. Trabalhadores poderão usar até 20% do saldo ou, no mínimo, R$ 1.000, para quitar total ou parcialmente as dívidas bancárias renegociadas.
Segundo o Datafolha, 62% dos brasileiros dizem já ter ouvido falar do novo Desenrola. Quando se considera toda a população, 77% afirmam estar otimistas com os efeitos sobre a economia, sendo 49% que acreditam em grande benefício e 28% que esperam algum ganho.
Para o próprio bolso, 53% dos entrevistados acham que vão sentir melhora com o programa, enquanto 4 em cada 10 não veem ganho pessoal. Em relação à família, 33% acreditam em grande benefício, 20% em algum impacto e 41% dizem que não haverá vantagem.
O recorte por voto mostra forte influência política na percepção do programa: 64% dos eleitores de Lula dizem que devem se beneficiar, contra 44% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro. No Nordeste, região onde o petista costuma ter melhor desempenho, 62% afirmam esperar ganho direto com o Desenrola.
Entre os mais jovens, o otimismo é maior: na faixa de 25 a 34 anos, 60% acreditam que o programa vai ajudar suas contas. Já entre pessoas com mais de 60 anos, esse percentual cai para 42%.
Quem ganha até dois salários mínimos é o grupo que mais vê chance de alívio nas finanças, com 61% dizendo que devem se beneficiar muito ou um pouco do programa. O cenário aparece em um momento de forte aperto financeiro nas famílias brasileiras.
De acordo com o Datafolha, 47% dos entrevistados têm algum tipo de dívida, que pode incluir empréstimos, faturas de cartão, cheque especial ou financiamentos. A fatia dos endividados é maior entre pessoas de 25 a 34 anos, moradores de regiões metropolitanas e evangélicos.
Entre os que dizem ter dívidas, 62% relatam que já estão inadimplentes, com contas e parcelas em atraso. Dados do Banco Central apontam que o endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda em fevereiro, o maior nível desde o início da série histórica em 2005, e a inadimplência dos consumidores ficou em 5,3% em março.
O país soma cerca de 83,3 milhões de pessoas com o nome negativado, segundo dados de abril da Serasa. As principais dívidas não pagas são com bancos, contas de água, luz e gás, financeiras e serviços em geral.
Fonte: Bem Paraná / Folhapress – Datafolha
Imagens: Bem Paraná












