Relatório da ONU mostra aquecimento recorde de 1991 a 2025; México lidera com 0,34°C por década
A América Latina e o Caribe estão esquentando mais rápido do que nunca desde o início das medições, em 1900. O dados vêm do relatório anual “Estado do Clima na América Latina e no Caribe”, lançado nesta segunda-feira (18) em Brasília pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU.
Ritmo do aquecimento
- América do Sul: 0,26°C por década
- América Central e Caribe: 0,25°C por década
- México (líder): 0,34°C por década, mais que o triplo do observado entre 1961 e 1990
- Temperatura média em 2025: +0,40°C acima da média
- Posição de 2025 no histórico: entre a 5ª e a 8ª mais alta já registrada
Calor extremo em 2025
- Mexicali (México): 52,7°C — novo recorde nacional
- Mariscal Estigarribia (Paraguai): 44,8°C
- Rio de Janeiro (Brasil): 44°C
Impactos nas chuvas e secas
- Sul do Brasil: aumento na chuva anual e enchentes mais frequentes
- Nordeste do Brasil: ficando mais seco, entre as áreas mais secas do continente
- Amazônia: estações secas mais longas, mas chuvas mais intensas quando ocorrem
- Peru e Equador (março): mais de 110 mil pessoas afetadas por enchentes
- México (outubro): chuvas deixaram 83 mortos
- México: seca cobriu 85% do território no auge da estiagem
Saúde pública
- Cerca de 13 mil mortes por ano associadas ao calor em 17 países (média de 2012 a 2021)
- Número considerado subestimado pela OMM, pois a maioria dos países não registra sistematicamente mortes causadas pelo calor
- Agência pede que esses dados passem a ser produzidos com regularidade e integrados aos sistemas de alerta
Oceanos mais ácidos e mais altos
- pH da superfície do mar atingiu o nível mais baixo já registrado em grandes áreas do Atlântico e Pacífico próximos à região
- Ondas de calor marinhas extremas no Golfo do México, no mar do Caribe e na costa chilena
- Nível do mar subiu mais rápido que a média global no Atlântico tropical e no Caribe
“Os sinais de um clima em transformação são inequívocos em toda a América Latina e o Caribe”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
O autor principal do relatório é o climatologista brasileiro José Marengo, pesquisador do Cemaden.
Fonte: G1
Imagens: Roberto Peixoto












