Estudante afirma que pesquisa analisa fenômeno social e nega apologia ao crime
Um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de uma estudante de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), em Sobral (CE), ganhou repercussão nacional após viralizar nas redes sociais por causa do título: “Antes Elize do que Eliza”. A monografia recebeu nota máxima da banca avaliadora, mas também gerou forte debate e críticas na internet.
A polêmica em torno do título está diretamente ligada aos dois nomes citados, que remetem a casos reais de grande repercussão no Brasil.

Eliza Samudio foi uma jovem modelo assassinada em 2010. Ela desapareceu após denunciar o ex-goleiro Bruno Fernandes, com quem teve um filho. O caso chocou o país pela brutalidade e pela repercussão envolvendo uma figura conhecida do futebol brasileiro. Bruno foi condenado pelo crime.

Já Elize Matsunaga foi condenada em 2012 por matar e esquartejar o marido, o empresário Marcos Matsunaga. O caso também teve grande destaque na mídia e se tornou um dos crimes mais comentados do país, especialmente pela forma como ocorreu e pela história do casal.
A frase do TCC viralizou justamente por colocar os dois nomes em comparação, o que gerou interpretações controversas nas redes sociais. Para muitos internautas, a expressão poderia sugerir uma escolha entre duas mulheres associadas a casos criminais e de violência extrema, o que levantou acusações de sensacionalismo e até de possível apologia ao crime.

A autora, Clara Souza, de 22 anos, explicou que a frase aparece entre aspas porque reproduz uma expressão que circula em redes sociais como TikTok e Instagram. Segundo ela, o objetivo do trabalho não é defender crimes, mas analisar o uso desse tipo de discurso e o que ele revela sobre a percepção social da violência contra a mulher.
A pesquisa aborda a violência de gênero e discute como a cobertura midiática influencia a forma como a sociedade enxerga casos como os de Elize Matsunaga e Eliza Samudio. O estudo também trata de conceitos como “escandalização midiática” e “vítima ideal”, que analisam como algumas vítimas recebem mais atenção e julgamento público do que outras.
A estudante afirmou que muitas críticas foram feitas por pessoas que não leram a monografia completa e reforçou que o trabalho não busca justificar os crimes, mas compreender o fenômeno social por trás da frase que viralizou.
Segundo ela, a banca avaliadora aprovou o trabalho com nota máxima e sugeriu que a pesquisa seja aprofundada em um futuro projeto de mestrado. Atualmente, Clara atua na Defensoria Pública do Ceará, no núcleo de enfrentamento à violência doméstica.
Fonte: g1
Imagens: Reprodução











