Primeira sentença entre os 23 denunciados na Operação Panóptico prevê mais de 16 anos de reclusão
A 2ª Vara Criminal de Paranaguá condenou, nesta quarta-feira (7), um homem a 16 anos, 9 meses e 18 dias de reclusão pelo crime de integração em organização criminosa. A decisão é a primeira entre os 23 denunciados na comarca no âmbito da Operação Panóptico.
A ação foi conduzida pelo núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. A operação investiga uma organização criminosa de alcance nacional, articulada a partir de unidades prisionais.
Segundo a denúncia, o condenado atuava na estrutura hierárquica do PCC, ocupando funções de liderança conhecidas como “Geral do Estado” e “Geral do Litoral”. Entre as atribuições estavam orientar e fiscalizar integrantes, aplicar procedimentos disciplinares e manter a organização interna da facção.
As investigações apontaram a existência de uma estrutura organizada, com divisão de funções, mecanismos de controle e comunicação entre membros dentro e fora do sistema prisional.
Entre as provas reunidas estão dados extraídos de um celular apreendido no endereço do réu. A análise identificou documentos internos, como o estatuto da organização e a cartilha disciplinar, além de grupos de WhatsApp usados para repassar orientações, controlar integrantes, atualizar cadastros, arrecadar recursos e divulgar decisões internas.
Também foram encontrados registros cadastrais de integrantes, com nomes, apelidos, histórico prisional e funções exercidas na organização. As apurações identificaram, ainda, referências à Ilha dos Valadares, em Paranaguá, como local de concentração de lideranças e articulação das atividades da facção.
As mensagens trocadas nos grupos internos tratavam de arrecadação de dinheiro, auxílio financeiro a integrantes, apoio logístico a pessoas presas e comunicação entre membros encarcerados e em liberdade.
A Operação Panóptico foi deflagrada em 15 de junho de 2026, em âmbito estadual. Foram cumpridos 304 mandados de prisão e 255 mandados de busca e apreensão no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, totalizando 559 ordens judiciais.
No total, 333 pessoas foram denunciadas em decorrência da operação. Somente em Paranaguá, foram oferecidas 21 denúncias, todas já recebidas pela Justiça, que somam 23 réus. Os processos seguem em diferentes fases de tramitação.
Encaminhamento do caso: O homem condenado responde pelo crime de integração em organização criminosa e a sentença foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Paranaguá. Os demais processos ligados à operação seguem em andamento na comarca.
Fonte: Ministério Público do Paraná (MPPR)












