Seleção repete formação ofensiva usada diante do Haiti e aguarda retorno de Neymar em jogo decisivo na Copa
Desde outubro de 2023, o mundo não vê Neymar em campo com a camisa da Seleção Brasileira, após a grave lesão nos ligamentos do joelho esquerdo sofrida em Miami, em 17 de outubro daquele ano. Agora, aos 34 anos, no estádio Hard Rock, na mesma cidade, o atacante volta a ficar à disposição em duelo que pode definir o rumo do Brasil na Copa do Mundo, contra a Escócia. A longa recuperação, somada a problemas musculares, deixou o camisa 10 afastado por quase três anos, e por isso ele começará no banco de reservas neste reencontro com o Mundial.
Em entrevista, Carlo Ancelotti explicou por que fez questão de levar Neymar para o torneio, mesmo após nova lesão na panturrilha direita. Segundo o técnico, “o comportamento de Neymar nesses dias foi muito bom, porque conhece muito bem os companheiros, trabalha muito bem, com muita seriedade, tentando recuperar o mais cedo possível”. Ele completou: “Estou muito feliz com ele. Aporta experiência, aporta conhecimento do jogo, ajuda os jovens, está fazendo muito bem (a sua missão de liderança)”. A confiança do treinador está justamente na combinação entre talento, experiência e capacidade de influenciar o grupo num momento em que a pressão pelo hexacampeonato é enorme.
Para enfrentar a Escócia, Ancelotti decidiu manter a base que o agradou no primeiro tempo da goleada sobre o Haiti, trocando apenas uma peça no ataque. A Seleção vai a campo com Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Paquetá; Rayan e Vinicius Júnior. A novidade é Rayan, que assume a vaga de Raphinha, fora por lesão na coxa direita. A ideia é ter um Brasil agressivo desde o início, marcando alto, abrindo o placar cedo e explorando a velocidade nos contra-ataques.
Ancelotti vê na recomposição defensiva escocesa, principalmente pelos lados do campo, um ponto vulnerável a ser explorado. Ele aposta na velocidade de Rayan combinada com a definição de Vinicius Júnior para “abrir” o compacto sistema europeu, que tende a se fechar próximo da própria área. O treinador reconhece, porém, a força física da Escócia e o espírito de luta do adversário: “Eles foram uma equipe muito forte fisicamente, de guerreiros. A briga pela posse da bola é constante. A Escócia formou uma equipe muito competitiva. Sabemos que a partida não será fácil”.
O calor também entra em campo a favor do Brasil: Miami deve registrar 31 graus durante a partida, condição que a comissão técnica procurou usar como aliada nos treinos. A Seleção treinou intensamente bolas paradas ofensivas, com Gabriel Magalhães, Casemiro e Marquinhos como principais alvos nos cruzamentos de Bruno Guimarães. Na defesa, a maior preocupação é justamente com os lançamentos e cruzamentos escoceses, já que o rival tem bons cabeceadores. Do outro lado, a formação básica da Escócia tem Gunn; Patterson, Hendry, Hanley, Robertson; McTominay, Ferguson, Christie; McGinn, Adams e Doak, mas o técnico Steve Clarke admitiu que pode adotar um esquema 5-4-1 para segurar o resultado.
Em tom bem-humorado, Clarke resumiu o dilema tático diante dos jornalistas do seu país. “Se eu partir para o ataque contra o Brasil e perder por 4 a 0, vocês vão me enforcar”, afirmou, indicando que a prioridade será se defender bem. Um empate deve ser suficiente para que os escoceses avancem como uma das melhores terceiras colocadas, o que torna o jogo ainda mais estratégico para os europeus. O histórico, porém, pesa a favor do Brasil: em dez confrontos, são oito vitórias brasileiras e dois empates.
Além de Neymar, outro protagonista chega ao duelo decidido a marcar seu nome na Copa: Vinicius Júnior. Em um Mundial que reúne nomes como Messi, Mbappé, Haaland e Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo de 2024 quer recuperar a aura de estrela após uma temporada instável no Real Madrid e na própria Seleção. “Eu me sinto pronto. Quero ajudar o Brasil muito mais do que em 2022. Estou maduro e bem demais fisicamente. Vou dar o meu máximo para recuperar o que todo brasileiro sonha. A Copa do Mundo. Precisamos desse título. A nossa geração precisa mostrar a que veio”, disse o atacante depois da vitória sobre o Haiti.
A posição final do Brasil no grupo C muda completamente o caminho no mata-mata. Se terminar na liderança, a Seleção deve encarar Japão ou Suécia, que disputam a segunda posição no grupo F. Em caso de segundo lugar, o adversário tende a ser a Holanda, provável líder da mesma chave. Um eventual tropeço diante da Escócia, com derrota, colocaria o Brasil em terceiro, abrindo a possibilidade de pegar Alemanha, México, Coreia do Sul ou França logo de cara.
Por isso, Ancelotti trata a vitória como obrigação e arma um time claramente voltado ao ataque. O treinador sabe que não há espaço para calcular demais: a Seleção precisa ganhar para fugir de viagens desgastantes e de confrontos mais duros logo no início do mata-mata. O plano é construir a vantagem com o esquema ofensivo e, no segundo tempo, recolocar em campo o velho protagonista do futebol brasileiro. Neymar volta a ser opção, agora em um papel que mistura liderança, experiência e a expectativa de uma última grande Copa.
Fonte: R7 Esportes – Blog Cosme Rímoli
Imagens: Divulgação/CBF












