Essa talvez seja a principal característica da disputa presidencial de 2026. Com um eleitorado altamente dividido, cada deslize ganha proporções enormes. E, até aqui, tanto a direita quanto a esquerda têm cometido erros que podem custar votos.
Do lado da direita, um dos principais problemas tem sido a dificuldade em apresentar uma mensagem unificada. Divergências internas, disputas por protagonismo e conflitos entre lideranças acabam desviando o foco das propostas e passam a impressão de falta de coordenação. A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, em meio ao desgaste provocado pelo conflito público com o senador Flávio Bolsonaro, expôs fissuras justamente em um momento em que o campo conservador buscava transmitir unidade. Somam-se a isso as declarações do jornalista bolsonarista Paulo Figueiredo, ao afirmar que mulheres “não sabem votar”, gerando forte repercussão negativa e oferecendo aos adversários um discurso capaz de ampliar o desgaste junto ao eleitorado feminino, decisivo em qualquer eleição presidencial. Em diversos momentos, o debate também permanece excessivamente concentrado em embates internos e disputas políticas, enquanto boa parte da população espera respostas concretas para problemas como economia, segurança pública, saúde e custo de vida.
Já a esquerda enfrenta o desgaste natural de quem ocupa o governo. O aumento das cobranças por resultados concretos, especialmente em relação à inflação, ao poder de compra e à qualidade dos serviços públicos, faz com que qualquer dificuldade econômica tenha impacto direto na percepção do eleitor. Ao mesmo tempo, investigações e suspeitas envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner , que nega qualquer irregularidade, alimentam o discurso da oposição e acabam atingindo politicamente um dos fundadores do PT e um dos mais próximos aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também são exploradas pelos adversários as alegações envolvendo Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, e o empresário Daniel Vorcaro, além das críticas aos gastos públicos com viagens da primeira-dama Janja. Somados à inflação persistente e ao aumento do custo de vida, esses fatores ampliam o desgaste do governo e colocam em dúvida, para parte do eleitorado, a continuidade do atual projeto político.
Existe ainda um erro comum aos dois lados: falar apenas para quem já concorda. As redes sociais reforçam essa lógica, criando bolhas onde aplausos substituem o diálogo. Mas eleição presidencial não se vence apenas com a militância. Ela costuma ser decidida pelos indecisos, pelos moderados e por quem muda de opinião durante a campanha.
Na prática, quem conseguir conversar com esse eleitor que ainda tem dúvidas largará na frente. O brasileiro médio está menos interessado na guerra ideológica permanente e mais preocupado com o preço dos alimentos, a segurança para sair de casa, a qualidade da saúde pública, a educação dos filhos e a possibilidade de melhorar de vida. A campanha que compreender esse sentimento terá vantagem competitiva sobre aquela que insistir apenas em mobilizar sua própria base.
No fim das contas, em uma eleição tão polarizada, dificilmente haverá uma campanha perfeita. A vitória tende a ser de quem conseguir cometer menos erros, administrar melhor as crises, evitar desgastes desnecessários, ampliar o diálogo com quem pensa diferente e convencer o eleitor de que possui as melhores respostas para os problemas do país.
Porque, em 2026, mais do que conquistar novos apoiadores, o verdadeiro desafio será perder menos eleitores ao longo do caminho.












