Novo episódio climático pode intensificar chuvas no Sul e estiagens no Norte e Centro‑Oeste
O governo federal e estados brasileiros estão reforçando medidas preventivas para enfrentar um possível “Super El Niño” nos próximos meses, fenômeno climático ligado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que pode trazer temporais mais intensos e ondas de calor. Boletins do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontam alto risco de chuvas fortes e desastres no Sul, especialmente em Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto o Norte e o Centro‑Oeste podem ter secas mais prolongadas e aumento de incêndios.
Prevenção no Sul
Em Santa Catarina, o governo decretou estado de alerta climático por 180 dias para acelerar liberação de recursos e obras de contenção de encostas, drenagem e infraestrutura contra inundações. No Rio Grande do Sul, o Executivo fortaleceu o Plano Rio Grande, com investimentos em radares meteorológicos, novas estações de monitoramento e simulações de enchentes, além da criação de planos locais de contingência em todas as 497 cidades do estado. Em Porto Alegre, a Defesa Civil ampliou sua estrutura técnica e montou um centro específico de monitoramento e alerta para enchentes.
Seca, fogo e comunidades isoladas
No Norte, governos estaduais e federal estão se preparando para a redução no nível dos rios, que em 2023 e 2024 deixou comunidades ribeirinhas sem acesso a alimentos e combustível. No Amazonas, o governo intensifica monitoramento dos rios e dialoga com órgãos públicos e com o setor privado para evitar desabastecimento. Em Mato Grosso do Sul, bombeiros e brigadistas já iniciaram queimas prescritas em áreas de risco, para reduzir o material combustível antes da estação seca.
Resposta federal e cenário futuro
O governo federal elevou o número de brigadistas para recorde em 2026, com mais de 4 mil integrantes entre Ibama e ICMBio, boa parte indígena, além de dezenas de veículos e aeronaves para combate a incêndios. O Ibama também planeja queimas prescritas em 200 mil hectares de áreas públicas e já emitiu alertas para propriedades em alta vulnerabilidade no Pantanal. Especialistas do Inmet e do Inpe estimam três faixas de intensidade (moderada, forte e muito forte) para o El Niño de 2026, destacando que o fenômeno pode conviver com um cenário mais amplo de mudanças climáticas, com eventos extremos mais frequentes ao longo do século.
Fonte: O Globo












