Crime ocorreu em 2023 no Morro da Cocada e teve ligação com disputa entre facções criminosas
Dois homens foram condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Paranaguá por participação em um ataque a tiros que matou um jovem de 26 anos e deixou outras duas pessoas feridas, incluindo uma criança de apenas um ano de idade. O julgamento terminou com penas que, somadas, ultrapassam 71 anos de prisão em regime inicialmente fechado.
O crime aconteceu na noite de 29 de novembro de 2023, no Morro da Cocada, quando os atiradores abriram fogo contra Wagner Henrique Rodrigues das Naves. A vítima morreu no local. Durante a ação, uma jovem de 18 anos também foi atingida por disparos, assim como uma criança que estava próxima à vítima.
O bebê foi baleado no abdômen, sobreviveu após receber atendimento médico, mas ficou paraplégico em consequência dos ferimentos. O caso gerou grande repercussão na época devido à gravidade da violência e ao envolvimento de uma criança entre as vítimas.
Segundo a investigação, os autores agiram sob ordens de uma organização criminosa ligada a Santa Catarina. O alvo principal era Wagner, mas os disparos acabaram atingindo também a mulher e a criança.
Durante o julgamento, os jurados reconheceram a responsabilidade dos réus pelos crimes. Um deles, que tinha 22 anos quando o ataque ocorreu, foi condenado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos e lesão corporal, recebendo pena de 38 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, além de 5 meses e 10 dias de detenção.
O segundo condenado, então com 18 anos, recebeu pena de 32 anos, 9 meses e 23 dias de prisão por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada contra menor de 14 anos. A Justiça considerou a atenuante da menoridade relativa na fixação da pena.
As apurações revelaram ainda um desdobramento incomum: após a execução, integrantes da própria facção criminosa teriam determinado a morte dos atiradores por terem ferido a criança durante o atentado. Pouco tempo depois, os dois foram encontrados baleados e escondidos em uma residência no bairro Emboguaçu. Eles sobreviveram após serem socorridos e encaminhados ao Hospital Regional do Litoral.
A investigação foi conduzida pela Polícia Civil do Paraná, com apoio do Ministério Público. Na época, Paranaguá enfrentava uma escalada da violência provocada pela disputa entre facções criminosas, contexto em que o homicídio foi praticado.
Com a sentença do Tribunal do Júri, os condenados permanecerão presos e deverão cumprir as penas em regime inicialmente fechado, sem direito de recorrer em liberdade.


Fonte: PCPR












