Para quem busca programas culturais no Litoral do Paraná, o mês de maio está cheio de opções no município de Matinhos com a III Mostra Sobrecarregada. O evento é uma realização da Universidade Federal do Paraná – Setor Litoral ( UFPR Litoral), em Matinhos, em que reúne mulheres artistas locais que fazem da arte um meio para refletir sobre o peso – e a libertação de suas vivências.
Entre os dias 08 e 22 deste mês, a mostra vai reunir instalações, videoartes, fotografias, performances e obras visuais a respeito da memória e ancestralidade feminina. A idealização é feita pela gestora Marina Chiva, também produtora cultural do Espaço Sidera, Ponto de Cultura reconhecido pelo Ministério da Cultura. Para Marina Chiva, a III Mostra Sobrecarregada reafirma o compromisso de construir mais espaços de visibilidade para mulheres artistas no Litoral do Paraná, propondo ao público não apenas uma visita estética, mas uma imersão sensível nas sobrecargas e nas forças de criação que atravessam seus corpos, suas histórias e seus territórios. “Mais do que uma exposição, a Sobrecarregada é um convite para refletir: Que pesos carregamos? Quais queremos descarregar? E que mundo queremos recriar a partir dessas descargas?”, disse a curadora da idealizadora.
Gio Soifer, artista e idealizadora da Residência Encosta, é quem assina a curadoria da Mostra em Matinhos. Ela propõe o “descarrego” como um gesto poético, político e coletivo, e apresenta uma seleção de obras que transmutam o excesso e a sobrecarga impostos às mulheres em potência criativa. “Na Mostra Sobrecarregada, abraçamos o ‘descarrego’ como tema e potência: um convite a liberar cargas, a transformar excesso em criação. Esse processo curatorial foi construído a partir da escuta e da transformação, costurando vozes, urgências e experiências em uma exposição que convida o público a reconhecer e libertar seus próprios pesos”, afirmou a curadora .
A III Mostra Sobrecarrega foi concretizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná (SEEC) e do Ministério da Cultura (MinC). Durante o processo de seleção para a participação do evento, 10 artistas e suas obras-descarregos foram selecionadas com acesso gratuito. Durante a programação, o público terá a oportunidade ainda; de mediação cultural, ações educativas ao longo de todo o período, visitas guiadas para grupos com agendamento e um bate-papo com as artistas, promovendo trocas sobre os processos criativos e as experiências vividas.
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MOSTRA INCLUSIVA
Para os organizadores da Mostra cultural, a acessibilidade também é um compromisso. Todas as obras terão QR Codes com a audiodescrição, e também haverá intérprete de Libras tanto na abertura quanto no bate-papo para que o evento seja o mais inclusivo possível.
AS ARTISTAS E SUAS OBRAS
Nesta III edição, 10 artistas trarão para o debate as suas narrativas de luta, ancestralidade, resiliência e reconstrução. As obras expõem a experiência feminina e as violências simbólicas e reais que marcam essas trajetórias, mas também querem propor um caminho de resistência, e no final de florescer.
- Maria Abadia — “Os Guardiões” (escultura e instalação)
Com massa, tecido, vidro e materiais reutilizados, Bah cria entidades que preservam memórias ancestrais e celebram a resistência negra. Suas esculturas elevam o ordinário ao sagrado, transformando o que seria descartado em oração e proteção.
- Elencristina Schneider — “Visível, Invisível” (gravura e impressão corporal)
A partir de impressões do próprio corpo, Elencristina expõe a dor crônica feminina que, frequentemente invisibilizada, emerge como ato de resistência e existência. O trabalho traduz o impacto físico e emocional da doença através da gravura contemporânea.
- Nico Santos — “Rainha dos Oris” (instalação pictórica)
Inspirada em Yemanjá e nas religiões de matriz africana, Nico constrói uma narrativa visual que vê o mar como útero sagrado. A obra é um convite ao renascimento e à cura através das águas, onde a memória ancestral pulsa e se renova.
- Manu Assini — “Demanda” (instalação participativa e ritual simbólico)
Utilizando tecidos, inscrições e um alguidar como elementos centrais, Manu propõe um ritual coletivo que lembra vítimas de feminicídio e exige justiça. A obra permite a participação do público, que inscreve nomes e ações em um processo simbólico de memória e resistência.
- Liz dos Anzóis — “Descarrego de Memórias: A Mestra do Fandango Caiçara” (fotografia documental e instalação sonora)
Por meio de imagens intimistas e registros de voz, Liz constrói uma homenagem sensível à mestra popular Dona Mide, guardiã do Fandango Caiçara. A exposição é uma jornada de resistência, ancestralidade e afirmação cultural negra.
- Kairu Ypiara — “Verá Poty” (performance artística)
Com música, poesia e linguagem corporal, Kairu conduz uma performance que convoca o público a sentir as dores e potências indígenas. “Verá Poty” celebra a continuidade, a esperança e a luta pela memória viva dos povos originários.
- Milah Gouveia — “Bará Ebó – Senhor do Descarrego” (escultura ritual e instalação)
Uma obra-ritual dedicada a Exú Bará Ebó, que simboliza o descarrego e a proteção espiritual. Milah traz a filosofia afro-brasileira para o centro da cena, combatendo estigmas e reafirmando a força do sagrado no enfrentamento cotidiano das sobrecargas.
- Luciana Ferreira — “Canteiro” (instalação tridimensional e assemblage)
A partir de materiais orgânicos e urbanos recolhidos no Litoral, Luciana propõe uma reflexão sobre nascimento, morte, transformação e memória nos espaços cotidianos, articulando sons, texturas e volumes em sua composição.
- Vanessa Alves — “Marés Femininas” (pintura em acrílica)
Com telas que evocam a fluidez do mar, Vanessa explora as emoções femininas como movimentos de renascimento e superação. O mar de Pontal do Paraná inspira uma metáfora visual para as camadas de histórias que atravessam os corpos femininos. - Aline Olívia — “Ninho: o peso do voo” (instalação e audiovisual)
Entrelaçando galhos, fios de sisal e objetos pessoais, Aline constrói “ninhos” humanos como espaços de acolhimento e partida. A instalação é acompanhada pelo curta-metragem “Ninho”, que aprofunda a reflexão sobre amadurecimento, libertação e subjetividade.
- Maria Abadia — “Os Guardiões” (escultura e instalação)
SERVIÇO
Abertura oficial: 8 de maio (quinta-feira), às 19h30
Bate-papo com as artistas: 9 de maio (sexta-feira), às 9h30
Local: UFPR Litoral – Rua Jaguariaíva, 512, Matinhos – PR












