Município reúne moradores, Defesa Civil e universidade para discutir tragédia de 2011 e os planos atuais de segurança climática
Quinze anos depois do desastre climático que marcou a história de Morretes, estudantes, professores, moradores e representantes do poder público se reuniram na Colônia Floresta para um dia de reflexão e aprendizado sobre prevenção a desastres naturais. O encontro aconteceu em 4 de junho de 2026 e reuniu 43 acadêmicos e docentes dos cursos de Geografia e Ciências Biológicas da Unicentro, campus de Guarapuava, junto com a Defesa Civil municipal e a associação de moradores da comunidade. A proposta foi revisitar as lições deixadas pelas “Águas de Março” de 2011 e discutir como a cidade vem se preparando para enfrentar novos eventos extremos, em especial os impactos do fenômeno El Niño. A atividade também teve foco em aproximar o conhecimento produzido na universidade da realidade de quem vive diariamente na Serra do Mar, transformando dados em experiências concretas.
A programação começou às 16h, com uma caminhada técnica de 1,4 quilômetro a partir do Rio Floresta, guiada pelos professores Willian Bortolini, Yasmmin Tadeu Costa e Miguel David Fuentes Guevara. Ao longo do trajeto, o grupo observou as marcas ainda visíveis dos antigos deslizamentos de terra e o processo de recuperação da vegetação local. Depois da caminhada, todos se reuniram na associação comunitária para uma roda de conversa, em que moradores compartilharam lembranças de luto, perdas materiais e do isolamento vivido em 2011. A conversa foi marcada pela emoção dos relatos e pela tentativa de transformar a dor da tragédia em orientação para as novas gerações.
O Secretário de Resiliência Climática e Defesa Civil de Morretes, Anderson Luís de Amorim Ferreira, participou do debate e lembrou que o episódio de 2011 deixou 2.500 pessoas desabrigadas e resultou em duas mortes no município. Segundo ele, a tragédia se tornou um divisor de águas na forma como o estado passou a tratar a gestão de riscos. A partir daquele momento, “a Defesa Civil passou a ser entendida como investimento, não como gasto”, o que viabilizou uma mudança profunda na estrutura local ao longo dos últimos 15 anos.
Entre os avanços destacados aos estudantes, o secretário citou a mudança de postura, antes concentrada quase só no atendimento após o desastre, para uma atuação voltada à prevenção, com monitoramento constante das ameaças. Houve também melhoria na articulação institucional para emissão de alertas mais rápidos e na elaboração de planos de contingência específicos para o El Niño, incluindo ações como a abertura preventiva de córregos. Outro ponto apresentado foi a criação e implantação dos Núcleos de Defesa Civil (NUPDECS), que vão descentralizar o primeiro atendimento e capacitar moradores para agir logo nos primeiros momentos da emergência. A ideia é facilitar a organização de forças-tarefa no território e garantir apoio direto à população em situações de crise.
Além dos aspectos estruturais, Anderson Ferreira ressaltou que a resiliência urbana depende também de atitudes de cidadania, senso de pertencimento e empatia dentro de cada comunidade. Ele destacou que o enfrentamento às mudanças climáticas severas precisa começar no próprio bairro de cada morador, servindo de exemplo para crianças, jovens e futuros profissionais. Ao aproximar a memória de quem viveu a tragédia, o planejamento do poder público e o rigor da pesquisa científica, a visita técnica foi apontada como um modelo importante para reduzir riscos e preparar a sociedade para eventos climáticos extremos que possam ocorrer no futuro.



Fonte: Prefeitura de Morretes












