Investimento reforça estrutura de ponta em saúde pública e impulsiona estudos com inteligência artificial e proteômica
O Paraná oficializou nesta semana o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Proteômica – Sinergia Científica a Serviço da Saúde Pública, com investimento de R$ 8 milhões em pesquisas e na compra de um equipamento de alta tecnologia para o Centro Analítico de Araucária. Metade desse valor foi destinada ao Espectrômetro de Massas, considerado essencial para o trabalho dos pesquisadores.
Segundo o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig, o NAPI Proteômica faz parte de uma estratégia mais ampla do Estado nas áreas de ciências da vida e saúde, em sintonia com programas de saúde pública de precisão e iniciativas em genômica. “Este NAPI representa um avanço fundamental porque reúne diferentes instituições em torno de uma estrutura colaborativa inédita no país, ampliando a capacidade de pesquisa, inovação e desenvolvimento de soluções que serão decisivas para a ciência e a saúde nos próximos anos”, afirmou.
A proteômica estuda proteínas do organismo com tecnologias avançadas de análise molecular, permitindo identificar alterações ligadas a doenças e favorecendo diagnósticos mais rápidos e tratamentos mais precisos. No NAPI, estão em andamento linhas de pesquisa sobre bactérias multirresistentes, biomarcadores de câncer, interação proteína-proteína, uso de inteligência artificial no diagnóstico médico, doenças neurodegenerativas e envelhecimento da pele.
Um dos estudos usa espectrometria de massas combinada com inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico de doenças cerebrais sem necessidade de biópsias invasivas. Outro projeto, em parceria com o Laboratório Central do Estado (Lacen) e a PUC-PR, busca identificar com mais precisão bactérias resistentes a antibióticos, considerado hoje um dos maiores desafios da saúde pública no mundo.
“A previsão é que até 2050 as infecções causadas por bactérias resistentes superem câncer e infarto como principal causa de mortes no mundo. Estamos criando metodologias capazes de identificar essas resistências com níveis de precisão que métodos tradicionais não conseguem alcançar”, ressaltou o pesquisador da Fiocruz Paraná e articulador do NAPI, Paulo Costa Carvalho.
Para o neurocirurgião do Hospital de Clínicas da UFPR, Denildo Veríssimo, o programa deve trazer ganhos diretos para o diagnóstico precoce e a medicina de precisão no Estado, sobretudo no combate a infecções por bactérias resistentes e em pesquisas na área neurológica. “O NAPI Proteômica traz um impacto direto para a prática em saúde, permitindo diagnósticos muito mais rápidos e precisos, o que é decisivo para o sucesso do tratamento dos pacientes. Além disso, o uso do espectrômetro de massas vai impulsionar pesquisas de ponta relacionadas à detecção precoce de doenças do sistema nervoso, muitas vezes de forma menos invasiva e até evitando procedimentos cirúrgicos”, explica Veríssimo, que é o colaborador do NAPI.
O avanço na área também é impulsionado pela inauguração do Centro Analítico Araucária, que abriga o primeiro espectrômetro de massas Orbitrap Excedion Pro da América Latina, adquirido pelo Governo do Estado por meio da Fundação Araucária. A solenidade de inauguração ocorreu nesta quinta-feira (21), na Fiocruz Paraná.
O equipamento, descrito como o mais avançado de sua categoria, é peça central em pesquisas de proteômica, interação proteína-proteína, biomarcadores, inteligência artificial aplicada à saúde e medicina de precisão. Para Paulo Costa Carvalho, o aparelho representa um salto científico para o Paraná e torna possível desenvolver estudos inéditos no país. “Esse equipamento é o coração do NAPI. Sem ele, o projeto simplesmente não aconteceria. Ele permitirá ao Paraná conquistar autonomia em pesquisas avançadas em proteômica e desenvolver metodologias inéditas capazes de responder perguntas científicas que antes não podiam ser respondidas”, afirmou.
No Estado, o projeto também envolve parceria com o Instituto para Pesquisa do Câncer de Guarapuava (IPEC), aproximando genômica, proteômica, inteligência artificial e medicina de precisão. Outra frente, com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), trabalha em estratégias diagnósticas point-of-care, voltadas a testes mais rápidos, acessíveis e aplicados em diferentes realidades da saúde.
A vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Alda Cruz, destacou que o novo laboratório fortalece a pesquisa e a capacidade de diagnóstico no Brasil. “Esse equipamento amplia nossa capacidade de geração de diagnósticos e fortalece a infraestrutura científica do Paraná e do Brasil. Além de ser único na América Latina, ele permitirá que a Fiocruz contribua para expandir essa tecnologia para outras regiões do país, mantendo nossas pesquisas alinhadas ao que há de mais avançado na ciência mundial”, disse.
Para o diretor de Ciência e Tecnologia da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Marcos Pelegrina, as redes colaborativas já mostraram impacto na qualidade da ciência produzida no Paraná. Ele avalia que o desafio agora é aproximar ainda mais a pesquisa das empresas e das demandas da sociedade, transformando conhecimento em inovação, desenvolvimento e geração de riqueza, com a proteômica em posição estratégica também para o agronegócio e outras áreas centrais da economia paranaense.
Mesmo recente, o NAPI Proteômica já soma 12 artigos publicados em revistas científicas internacionais de destaque, como Nature Methods, Trends in Biochemical Sciences e Nature Communications. Os estudos abordam o uso de técnicas avançadas de proteômica em pesquisas sobre interação proteína-proteína e organoides corticais.
O programa também resultou no depósito de uma patente relativa a um equipamento desenvolvido para coleta de pele destinada à análise proteômica. Além das instituições paranaenses, o NAPI conta com a participação da UFPR, PUCPR, UEL, do Grupo Boticário e de centros internacionais de pesquisa.
Fonte: AEN
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