Os números divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio das Estatísticas do Registro Civil de 2023, ajudam a desenhar um retrato demográfico das cidades do litoral paranaense. Com base nos registros de nascimentos e óbitos, os dados revelam cenários distintos entre os sete municípios litorâneos, com destaque para a diferença entre crescimento natural da população e envelhecimento demográfico.
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Nascimentos no litoral
Ao longo de 2023, foram registrados 3.809 nascimentos nas sete cidades do litoral do Paraná. O maior número foi em Paranaguá, com 1.928 registros — pouco mais da metade de todos os nascimentos da região.
Confira os nascimentos por município:
- Paranaguá – 1.928
- Guaratuba – 523
- Matinhos – 523
- Pontal do Paraná – 367
- Antonina – 195
- Morretes – 195
- Guaraqueçaba – 78
Os dados são baseados na cidade de residência da mãe, ou seja, mesmo que o parto ocorra em outro município, o nascimento é registrado conforme o domicílio materno.
Óbitos no litoral
Em relação aos óbitos, foram 2.525 mortes registradas nas cidades litorâneas em 2023, com Paranaguá novamente com o maior número absoluto: 1.220 registros.
Veja os dados de mortes por cidade (baseados na cidade de residência da pessoa falecida):
- Paranaguá – 1.220
- Matinhos – 360
- Guaratuba – 309
- Pontal do Paraná – 254
- Antonina – 180
- Morretes – 154
- Guaraqueçaba – 48
Saldo natural: cidades que ganharam e perderam população
A diferença entre o número de nascimentos e de óbitos é chamada de saldo vegetativo. Quando há mais nascimentos do que mortes, o município tende a crescer (desconsiderando migrações). Quando o oposto ocorre, há uma tendência de redução.
Com base nos dados de 2023, o saldo natural de cada cidade do litoral foi:
- Paranaguá: +708
- Guaratuba: +214
- Pontal do Paraná: +113
- Antonina: +15
- Morretes: +41
- Guaraqueçaba: +30
- Matinhos: –63 (ou seja, mais mortes que nascimentos)
Matinhos foi a única cidade do litoral com saldo negativo, indicando perda populacional natural. As demais cidades ainda apresentam crescimento, mas com diferenças expressivas — Paranaguá, sozinha, respondeu por mais da metade do crescimento natural da região.
O que pode mudar esse cenário?
Apesar do saldo natural positivo na maioria das cidades, o crescimento populacional real pode ser influenciado por outros fatores. Um estudo recente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) projeta que, até 2050, muitas cidades paranaenses devem perder população — inclusive Paranaguá.
Segundo o Ipardes, Paranaguá deve sofrer uma redução de 12% na população até 2050, sendo o município com maior perda proporcional em todo o Estado. A projeção leva em conta não apenas nascimentos e óbitos, mas também migrações internas.
De acordo com o sociólogo Leonildo Souza, do Departamento de Estudos Populacionais e Sociais do Ipardes, o saldo populacional total considera dois movimentos:
- Saldo vegetativo: diferença entre nascimentos e óbitos.
- Saldo migratório: diferença entre pessoas que chegam e saem do município.
Fatores como baixa fecundidade, aumento da expectativa de vida, maior escolaridade das mulheres e migrações de curta distância têm impacto direto nessas projeções. Mesmo cidades com saldo natural positivo, como Paranaguá, podem perder população caso mais pessoas saiam do que entrem.
Panorama estadual
Em todo o Paraná, 139.999 nascimentos foram registrados em 2023, o 5º maior número do Brasil. Já os óbitos somaram 83.117, com uma redução de 7% em relação a 2022. O Paraná teve mais nascimentos do que Rio Grande do Sul (120 mil) e Santa Catarina (96 mil), liderando o Sul do país.
Entre os nascimentos, 99,39% ocorreram em hospitais. Quanto ao perfil das mães, a maioria tinha entre 25 e 34 anos no momento do parto. Já nas mortes, 55,88% foram de homens, e 44,10% de mulheres.












