Estudo aponta que diagnóstico precoce ainda esbarra na baixa procura por atendimento médico
Uma pesquisa inédita realizada pelo Hospital A.C. Camargo, em parceria com a Nexus, revelou que a maioria dos brasileiros reconhece os principais sinais do câncer de intestino, mas nem sempre procura atendimento médico ao perceber os sintomas.
Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados sabem que a presença de sangue nas fezes pode ser um indicativo da doença, também conhecida como câncer colorretal. Além disso, 80% consideram esse um sinal grave. Apesar disso, o estudo mostra que esse conhecimento não tem sido suficiente para estimular a busca por diagnóstico precoce.
Entre os participantes da pesquisa, 9% afirmaram já ter percebido sangue nas fezes em algum momento da vida. Desse grupo, quase metade não procurou um médico após notar o sintoma, comportamento que pode comprometer as chances de diagnóstico em fases iniciais e aumentar a dificuldade no tratamento.
A pesquisa também chama atenção para o aumento da incidência do câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos. Em São Paulo, os casos nessa faixa etária cresceram, em média, quase 3% ao ano entre 2000 e 2023. Especialistas ainda investigam as causas desse avanço, mas apontam mudanças no estilo de vida como uma das hipóteses.
Outro dado do estudo mostra que dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar do teste imunoquímico fecal (FIT), exame capaz de identificar sangue oculto nas fezes e auxiliar no rastreamento da doença antes do aparecimento de sintomas mais evidentes.
Esse cenário pode mudar nos próximos meses. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) deve divulgar um protocolo nacional de rastreamento que prevê a oferta do exame FIT pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é ampliar o acesso ao diagnóstico precoce para mais de 40 milhões de brasileiros entre 50 e 75 anos.
A reportagem também relembra que o caso da cantora Preta Gil contribuiu para ampliar a discussão sobre o câncer de intestino. A artista revelou ter ignorado, inicialmente, sintomas como prisão de ventre persistente, sangue e alterações nas fezes antes de receber o diagnóstico.
Fonte: G1 / Fantástico












