Investigação aponta que ex-presidente tinha registro regular da pistola apreendida em blitz no DF
A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu que Jair Bolsonaro não cometeu crime no episódio da pistola Glock 9mm apreendida durante uma blitz em Brasília. A avaliação está no mesmo documento em que a corporação indicia um militar do Exército que atua na segurança do ex-presidente por porte ilegal de arma de fogo, após ser abordado com o armamento dentro do carro, na noite de 15 de junho. Segundo o inquérito, o segurança não tinha autorização do dono para circular com a pistola e também não atendia às exigências previstas em lei para esse tipo de transporte.
No mesmo relatório, a polícia afirma que o ex-presidente não teve conduta culposa nem intenção de cometer crime no caso. Os investigadores destacam que Bolsonaro possui registro válido da arma e que não há restrições conhecidas que o impedissem de manter o equipamento regularmente em sua residência. A corporação também lembra que, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão na casa do ex-presidente, o armamento não foi recolhido nem teve qualquer bloqueio lançado em seu registro. Por isso, o delegado escreve que “não vislumbro materialidade e conduta dolosa de eventual crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito”.
O militar responsável pela segurança de Bolsonaro foi formalmente indiciado por porte ilegal de arma de fogo, com agravante por ser sargento do Exército. A defesa dele ainda não se manifestou. Com o indiciamento, a Polícia Civil encerra a investigação e envia o inquérito ao Ministério Público, que vai analisar se apresenta ou não denúncia à Justiça.
No fim de junho, a Polícia Civil ouviu Jair Bolsonaro sobre o caso. No depoimento, ele admitiu que a pistola apreendida é de sua propriedade e relatou que o armamento estava em sua casa quando foi cumprida sua ordem de prisão. Ao delegado, o ex-presidente afirmou que “tinha três mulheres em casa” e que “não podia ficar desarmado”.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre pena em regime de prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal em razão de seu estado de saúde. O ministro Alexandre de Moraes acompanha os desdobramentos do episódio envolvendo a arma e ainda vai decidir se mantém ou não a prisão domiciliar após a conclusão da apuração policial. A investigação também aponta que a Glock chegou a ser inutilizada temporariamente pela equipe de segurança, com aval de Michelle Bolsonaro, ao ficar sem o percussor, peça que permite o disparo. Segundo relatos colhidos no inquérito, o militar indiciado disse que levava a pistola para conserto a pedido do ex-presidente e que só devolveria o armamento após autorização de Michelle; como ela não estava presente, ele resolveu levar a arma para casa para fazer a manutenção antes de entregá-la de volta.
Ainda de acordo com pessoas ouvidas pela investigação, a retirada do percussor ocorreu no período em que Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica utilizando um ferro de solda. Na ocasião, o ex-presidente atribuiu o episódio a um quadro de “alucinação” e “certa paranoia”, que teria relação com o uso de remédios, e a equipe de segurança decidiu reforçar os cuidados com sua integridade física.
Fonte: G1
Imagens: G1












