Em vez de concentrar esforços em melhorar a fluidez do tráfego e minimizar transtornos à população, especialmente durante a alta temporada de verão, a Concessionária EPR Litoral Pioneiro parece optar por um caminho inverso: o da notificação e do embate institucional com o município de Paranaguá.
A concessionária notificou oficialmente a Prefeitura para a remoção de uma placa instalada na rotatória do Parque São João, área que está sob responsabilidade da EPR, concessionária que há cerca de dois anos assumiu a concessão do pedágio e das rodovias que cortam o litoral paranaense. Segundo a empresa, todos os elementos instalados dentro da área da concessão são de sua responsabilidade e devem obedecer rigorosamente aos critérios estabelecidos no contrato.
O que chama a atenção, no entanto, não é apenas a notificação em si, mas o contexto em que ela ocorre. Paranaguá e toda a região litorânea enfrentam, neste período, um fluxo intenso de veículos, agravado por obras e serviços executados pela própria concessionária em dias e horários de pico. Intervenções que, frequentemente, causam lentidão, congestionamentos e transtornos a moradores, trabalhadores e turistas.

Diante desse cenário, soa no mínimo contraditório que a prioridade da concessionária seja notificar o município, em vez de rever o planejamento de suas obras, adequando cronogramas para horários de menor movimento e reduzindo impactos no tráfego urbano e rodoviário.
A retirada da placa foi programada para um domingo, com apoio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e da Secretaria de Segurança, demonstrando, mais uma vez, que o município tem colaborado para evitar conflitos e garantir a organização do espaço público. Ainda assim, fica a reflexão: não seria mais razoável que essa mesma cooperação fosse vista no planejamento das ações da concessionária?

Concessionárias de rodovias não existem apenas para fiscalizar contratos ou impor notificações. Elas têm um papel social e urbano relevante, especialmente em cidades impactadas diretamente pelo turismo e pelo tráfego intenso, como Paranaguá. Espera-se que estejam mais preocupadas em servir a cidade e seus cidadãos do que em penalizá-la.
No fim das contas, a população é quem paga a conta — seja no pedágio, no tempo perdido no trânsito ou na falta de sensibilidade com a realidade local. E é justamente por isso que atitudes como essa precisam ser debatidas, questionadas e trazidas à luz.












