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Suposto racismo em final dos Jogos Escolares é investigado em Paranaguá

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Autoridades de educação e esporte apuram ofensas com teor racial contra atleta durante partida de basquete escolar

Uma denúncia de injúria racial durante a final do basquete dos Jogos Escolares, realizada na noite de quarta-feira (14) no Ginásio Albertina Salmon, em Paranaguá, passou a ser acompanhada por órgãos esportivos e educacionais do município e do Estado.

O caso envolve estudantes do Colégio Diocesano Leão XIII e do Colégio Estadual Alberto Gomes Veiga (AGV) e teria ocorrido após uma sequência de lances marcada por falta, discussão sobre arbitragem e contestação do encerramento da partida.

Segundo relatos, um atleta da equipe teria sofrido uma falta em jogada considerada normal, se machucado e permanecido caído em quadra, sendo em seguida encaminhado à UPA com lesão na perna. Ainda conforme a escola, após o árbitro sinalizar o fim do jogo, os alunos do AGV iniciaram comemoração, mas a partida foi retomada logo depois, com posse de bola para o Leão XIII, que marcou o ponto final e venceu o confronto, o que elevou ainda mais a tensão no ginásio.

De acordo com o relato encaminhado à direção, foi nesse momento que o jogador do AGV, ainda no chão, teria sido alvo de gritos ofensivos vindos da torcida adversária, com a palavra em inglês “monkey”, fato descrito pela professora responsável em comunicado interno.

Além da denúncia feita à direção, vídeos do encerramento do jogo e capturas de tela de conversas atribuídas a alunos do Colégio Leão XIII passaram a circular nas redes sociais, nas quais estudantes comentariam o episódio. Diante da repercussão, a direção do AGV informou que procurou o chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá para orientações e divulgou comunicado em grupos internos, assegurando que o caso será apurado e que tomará as medidas cabíveis.

Na manhã seguinte, professores e atletas presentes no ginásio foram reunidos para registrar em ata os relatos sobre o que viram e ouviram, enquanto o estudante diretamente envolvido permanece afastado com atestado médico e previsão de retorno apenas na próxima segunda-feira (18), conforme a escola. A família preferiu, até o momento, não conceder entrevistas.

O chefe do Núcleo Regional de Educação de Paranaguá, Paulo Penteado, declarou em coletiva de imprensa, na noite de quinta-feira (14), durante o encerramento dos Jogos Escolares, que a rede estadual segue uma política de educação antirracista e que qualquer crime deve ser tratado com rigor. Ele reforçou que atos racistas são inadmissíveis, mesmo em ambiente com adolescentes e jovens, e relatou que o Núcleo vem mantendo contato com a Prefeitura e a Secretaria de Esportes para definir ações conjuntas.

O secretário municipal de Esporte e Juventude, José Miguel Pereira, afirmou na mesma coletiva que a secretaria instaurou procedimentos para apurar os fatos, inclusive com a abertura de tribunais de justiça desportiva para reunir informações. Segundo ele, caso seja confirmada a prática de racismo, a situação poderá ser levada às esferas cível e criminal, e o tema será incorporado às próximas edições dos Jogos Escolares como pauta de conscientização para os estudantes.

O Colégio Diocesano Leão XIII, por sua vez, informou por meio de nota oficial que tomou conhecimento de relatos sobre possíveis ofensas de cunho racial na competição e declarou repudiar “de forma absoluta qualquer manifestação discriminatória, ofensiva ou incompatível com os princípios do respeito, da dignidade humana, da fraternidade e da convivência ética”. A instituição comunicou que acionou seu Setor Jurídico-Pedagógico e instaurou procedimento administrativo interno, sob sigilo institucional, para apurar o caso e adotar eventuais medidas pedagógicas, disciplinares e institucionais.

Segundo o colégio, após a conclusão da apuração interna, os documentos e elementos colhidos poderão ser encaminhados às autoridades competentes para avaliação e eventuais providências legais, sem prejuízo das sanções dentro do ambiente escolar. A escola destacou que mantém projetos permanentes de combate ao bullying, cyberbullying, racismo e outras formas de discriminação e que, no último domingo (11), promoveu um encontro educativo com todos os alunos sobre responsabilidade legal, respeito mútuo e consequências de atos discriminatórios, conduzido por um profissional da área jurídica.

Na nota, o Leão XIII afirmou ainda que essas ações reforçam o compromisso com a formação ética, humana e cidadã dos estudantes, além da prevenção de qualquer forma de violência ou discriminação na escola. A instituição manifestou solidariedade ao estudante e à família envolvidos e disse permanecer à disposição das autoridades para esclarecimentos, declarando que seguirá firme na missão de educar para “respeito, empatia, justiça e fraternidade”.

Até o momento, o caso segue em fase de coleta de relatos, análise de imagens e procedimentos administrativos, com possibilidade de encaminhamento às áreas cível e criminal caso se confirme a prática de racismo, conforme apontaram autoridades de educação e esporte.

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