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Terremoto na Venezuela: o que aconteceu, por que foi tão forte e como o país tenta se recuperar dias depois

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Buscas continuam entre prédios destruídos enquanto histórias de perdas e ajuda internacional marcam os dias após a tragédia

O terremoto que atingiu a Venezuela deixou muito mais do que prédios destruídos. Em poucos segundos, milhares de famílias perderam casas, rotinas e, em muitos casos, contato com pessoas que amavam.

A tragédia começou na noite de 24 de junho de 2026.

Segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), dois terremotos muito fortes aconteceram quase em sequência. O primeiro teve magnitude 7,2. Apenas 39 segundos depois, um segundo tremor, ainda mais intenso, chegou a 7,5. Os abalos ocorreram na região norte do país e foram sentidos em grande parte do território venezuelano.

Por terem ocorrido em uma profundidade considerada pequena, os tremores chegaram à superfície com força destrutiva. Casas racharam, prédios desabaram, ruas ficaram bloqueadas e bairros inteiros passaram horas sem energia e sem comunicação. La Guaira se tornou uma das áreas mais afetadas.

Mas o momento mais difícil começou depois que o chão parou de tremer.

Nas horas seguintes ao desastre, milhares de pessoas passaram a procurar parentes desaparecidos. Hospitais ficaram lotados. Centros improvisados de acolhimento começaram a receber listas com nomes de pessoas procuradas. Redes sociais viraram pontos de encontro para quem tentava descobrir se familiares estavam vivos.

Em várias regiões atingidas, moradores começaram a cavar com as próprias mãos antes mesmo da chegada de máquinas e equipes maiores de resgate. Grupos de voluntários organizaram distribuição de água, comida, medicamentos e também redes para localizar desaparecidos.

Uma das histórias que mais emocionaram o país veio do futebol.

O jogador argentino Lucas Trejo, que atua na Venezuela, publicou um pedido de ajuda poucos dias depois do terremoto. O prédio onde a família dele morava desabou e ele passou dias acompanhando buscas pela esposa e pelos dois filhos pequenos. Em uma mensagem divulgada nas redes sociais, pediu que pessoas compartilhassem informações e disse que ainda queria acreditar que eles não estavam dentro do edifício no momento do desabamento. As buscas duraram cerca de 74 horas.

No fim de semana, veio a confirmação mais difícil: a esposa de Trejo e os dois filhos foram encontrados sem vida sob os escombros em La Guaira. O caso se transformou em símbolo do sofrimento vivido por milhares de famílias venezuelanas que ainda aguardam notícias de parentes desaparecidos.

Enquanto as buscas continuavam, começou também uma grande mobilização internacional.

O Brasil enviou uma missão humanitária para ajudar no resgate e no atendimento às vítimas. A operação partiu com apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e levou bombeiros especializados, técnicos e equipamentos. Entre os integrantes estavam profissionais do Paraná, que viajaram junto com equipes de outros estados para atuar em buscas, apoio emergencial e instalação de estrutura médica. Também foram enviados cães farejadores e materiais para ampliar as chances de encontrar sobreviventes.

As imagens do desastre vistas do espaço começaram a mostrar uma dimensão ainda maior da tragédia.

Nos dias seguintes aos terremotos, satélites usados por centros internacionais de monitoramento passaram a analisar as regiões atingidas para entender onde estavam os maiores danos e ajudar equipes em terra. As imagens permitiram comparar como eram os bairros antes e depois dos tremores.

Uma das análises mais detalhadas foi feita pelo programa europeu Copernicus. Até as atualizações mais recentes, os satélites identificaram pelo menos 434 edifícios totalmente destruídos e outros 1.304 com sinais de danos importantes. Em algumas áreas costeiras, quarteirões inteiros apareceram transformados em grandes manchas de concreto quebrado vistas do alto.

Outros levantamentos, feitos com apoio de sistemas da NASA e de centros parceiros, indicam que o número real de estruturas afetadas pode ser muito maior e ultrapassar dezenas de milhares entre casas, prédios e instalações públicas.

Essas imagens não servem apenas para mostrar destruição. Elas ajudam os socorristas a decidir por onde entrar, onde concentrar máquinas pesadas e quais regiões ainda têm chance de localizar sobreviventes. Também permitem identificar áreas sem energia elétrica e planejar o envio de água, alimentos e atendimento médico.

Para muitas famílias que continuam procurando parentes desaparecidos, cada nova imagem analisada representa uma possibilidade de encontrar respostas em meio aos escombros.

As imagens da destruição mostraram outro cenário que passou a chamar atenção nos dias seguintes ao terremoto.

Com hospitais lotados e o número de vítimas aumentando rapidamente, moradores e autoridades precisaram improvisar estruturas para receber os corpos encontrados nos escombros. Em La Guaira, uma área do porto foi transformada em um necrotério temporário para tentar organizar a identificação das vítimas.

Filas começaram a se formar no local. Famílias chegavam carregando documentos, fotografias e, em alguns casos, acompanhando o transporte dos próprios parentes retirados dos prédios destruídos. A espera por informações passou a fazer parte da rotina de quem ainda procurava desaparecidos.

Relatos reunidos por veículos internacionais mostram que parte dos hospitais e serviços funerários não conseguiu acompanhar o volume de atendimentos após os terremotos. Em alguns pontos atingidos, corpos precisaram ser levados para centros temporários enquanto equipes tentavam registrar nomes e localizar familiares.

O cenário virou um dos símbolos mais duros da tragédia: de um lado, equipes continuavam procurando sobreviventes; do outro, centenas de famílias enfrentavam o momento de reconhecer parentes encontrados entre os escombros.

Mesmo vários dias depois do desastre, o trabalho continua.

Equipes ainda monitoram réplicas — que são novos tremores menores que costumam acontecer depois de um grande terremoto — e seguem procurando pessoas desaparecidas em áreas destruídas. Autoridades continuam atualizando os números de mortos, feridos e desabrigados conforme os resgates avançam.

Para especialistas, a recuperação completa da Venezuela deve levar meses. Mas, em meio aos escombros, também surgiram histórias de solidariedade, pessoas ajudando desconhecidos e equipes de vários países trabalhando lado a lado para tentar salvar vidas.

Fonte: USGS, Reuters, SBT News, CNN Brasil, El País, Jovem Pan, Veja, G1
Imagens: AFP

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