O Porto de Paranaguá está prestes a entrar em uma nova fase. Um projeto inédito no Brasil vai permitir que uma empresa privada assuma a concessão do canal de acesso à baía — ou seja, o caminho por onde os navios entram e saem do porto. A autorização para o leilão já foi dada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e o investimento previsto é de mais de R$ 1 bilhão nos cinco primeiros anos.
Com isso, uma comitiva da Bélgica visitou o porto nesta segunda-feira (28) para conhecer de perto o funcionamento e as possibilidades do projeto. Eles representam empresas de dragagem e investimentos e demonstraram interesse em participar do processo de concessão.
O canal de acesso é responsável por toda a infraestrutura marítima que garante a entrada segura dos navios — como dragagem, sinalização e controle do tráfego. Hoje, tudo isso é feito pela estatal Portos do Paraná, mas com a mudança, a empresa vencedora do leilão ficará responsável por executar e manter esses serviços por 25 anos.
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Interesse belga
A visita teve representantes do consulado belga e das duas maiores empresas de dragagem da Bélgica, além de membros da agência Flanders Investment & Trade. Eles foram recebidos pela equipe da Portos do Paraná, que apresentou os dados e a estrutura atual do porto.
A cônsul-geral da Bélgica, Valentine Mangez, elogiou o porto e afirmou que acompanha há anos o crescimento do Paraná. “O Porto de Paranaguá é um parceiro importante para a Bélgica, principalmente nas exportações de soja e carnes congeladas para Antuérpia-Bruges”, afirmou.
O que muda com a concessão
Esse será o primeiro projeto no Brasil que transfere a responsabilidade da infraestrutura marítima de acesso para a iniciativa privada. A empresa que vencer o leilão terá que realizar serviços como:
Estudos e levantamentos hidrográficos
Dragagem e derrocagem (remoção de pedras do fundo do mar)
Sinalização e balizamento náutico
Implantação de um sistema moderno de monitoramento de tráfego
Hoje, o calado máximo dos navios no porto é de 13,1 metros. Com a concessão, a empresa deverá garantir, ao fim do contrato, uma profundidade mínima de 15,5 metros — o que permitirá a chegada de navios maiores e mais carga.
A movimentação econômica gerada por esse projeto pode ampliar ainda mais o papel de Paranaguá no comércio exterior. A expectativa é que o leilão atraia empresas da Bélgica, da Holanda e de outros países com experiência em engenharia portuária.













