Novo medicamento da EMS usa mesma substância de Ozempic e Wegovy e abre fase de concorrência no Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Ozivy, medicamento injetável à base de semaglutida produzido pela farmacêutica EMS.
É a primeira vez que um produto nacional com essa substância recebe autorização desde o fim da patente da Novo Nordisk no país.
A semaglutida é o princípio ativo usado em remédios como Ozempic, indicado para diabetes tipo 2, e Wegovy, voltado ao tratamento da obesidade.
Com a queda da patente em março deste ano, o mercado foi aberto a outros laboratórios e passou a movimentar uma disputa bilionária em torno das chamadas “canetas emagrecedoras”.
O Ozivy foi classificado pela Anvisa como “medicamento novo” em uma modalidade de desenvolvimento abreviado, voltada a produtos que usam substâncias já conhecidas, mas ainda precisam comprovar qualidade, segurança e eficácia.
A aprovação veio após meses de análise, período em que outros pedidos chegaram a ser negados por falhas em documentos e exigências técnicas.
De acordo com a resolução publicada pela agência, o Ozivy foi autorizado em solução injetável para aplicação subcutânea, em diferentes volumes, com cartuchos que acompanham canetas aplicadoras e agulhas.
O registro tem validade até junho de 2036 e contempla apresentações com concentração de 1,34 mg/ml em cartuchos de 1,5 ml e 3 ml, isolados ou em embalagens com duas unidades.
Mesmo com o aval da Anvisa, o remédio ainda não tem data para chegar às prateleiras.
A EMS precisa definir preço, concluir a produção inicial e organizar a distribuição no varejo farmacêutico antes do lançamento.
A liberação ocorre em meio a uma corrida já mapeada pela própria agência, que recebeu ao menos 17 pedidos de medicamentos com semaglutida desde 2023.
Segundo a Anvisa, o processo de avaliação é rigoroso por causa da complexidade da molécula, incluindo estudos de imunogenicidade e controle de impurezas.
Com a entrada de novos fabricantes, a tendência é de mais competição em um mercado que até março era dominado apenas pela Novo Nordisk.
A expectativa é de queda gradual de preços nos próximos anos, embora não existam ainda versões genéricas tradicionais da semaglutida devido às características do composto.
O Ministério da Saúde avalia que a chegada de novos produtos pode facilitar o acesso aos tratamentos no futuro.
A Novo Nordisk, por sua vez, já vem adotando estratégias comerciais, como condições especiais para algumas apresentações do Wegovy e ajustes de preço do Rybelsus.
Por enquanto, o valor e a previsão de lançamento do Ozivy ainda não foram divulgados pela EMS.
Fonte: g1
Imagens: Freepik












