Corporação explica como agir e o que observar em locais fechados com grande público
A grande concentração de pessoas em casas noturnas, cinemas, teatros e outros espaços de uso coletivo exige atenção redobrada à segurança, principalmente em situações de incêndio ou pânico, que podem evoluir rápido e dificultar a saída do público. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná lembra que tragédias como o incêndio na Boate Kiss, no Rio Grande do Sul, que deixou mais de 200 mortos, escancaram a importância de estruturas adequadas e de atitudes seguras em emergências.
No Estado, regras rígidas para edificações com grande público já eram aplicadas antes do caso gaúcho, mas, depois do episódio, outros locais do país também passaram a endurecer as exigências. Esse conjunto de normas está no Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico (CSCIP), que define padrões técnicos para proteger vidas, garantir evacuação segura, dificultar a propagação das chamas e dar condições para o controle do fogo.
Pelas regras, proprietários e responsáveis pelos estabelecimentos precisam garantir o cumprimento da legislação desde o projeto até o funcionamento, com saídas de emergência dimensionadas corretamente, sistemas de prevenção e combate a incêndio instalados e respeito à capacidade máxima de público. Também é obrigatório manter o imóvel de acordo com o uso para o qual foi aprovado, evitando mudanças que possam afetar a segurança.
Além da implantação inicial, cabe aos donos manter a manutenção em dia: extintores, hidrantes, sinalização e iluminação de emergência devem estar desobstruídos e funcionando. A porta-voz do Corpo de Bombeiros, capitã Luisiana Guimarães Cavalca, destaca que essas medidas são essenciais para proteger quem frequenta os espaços. “As medidas de segurança contra incêndio são projetadas para permitir uma evacuação rápida e segura, além de possibilitar o controle do fogo ainda no início”, explica, lembrando que a falta de manutenção aumenta significativamente os riscos.
Entre as irregularidades mais comuns observadas pela corporação estão saídas de emergência obstruídas ou trancadas e equipamentos de combate ao fogo bloqueados por móveis ou outros objetos, o que prejudica a evacuação e o combate inicial às chamas. Para a capitã, cumprir as normas é um investimento em proteção. “Há pessoas que dizem que as estruturas contra incêndio e pânico são muito caras ou difíceis de serem implementadas, mas elas salvam vidas e isso não tem preço”, afirma.
Embora a responsabilidade formal seja dos proprietários, os bombeiros reforçam que cada pessoa também pode atuar ativamente na própria segurança ao seguir orientações simples. Em edifícios residenciais, moradores costumam conhecer melhor o ambiente e as rotas de fuga, mas em locais públicos, como cinemas, teatros e casas noturnas, o público geralmente não está familiarizado com a estrutura, o que torna fundamental observar saídas de emergência e equipamentos de segurança logo na entrada.
Segundo a capitã Luisiana, criar esse hábito faz diferença em uma situação real, já que os maiores riscos nesses ambientes estão ligados à dificuldade de evacuar muita gente ao mesmo tempo. Em um cenário de pânico, a grande quantidade de pessoas pode causar empurra-empurra, risco de pisoteamento e até dificuldade respiratória durante a saída. A militar lembra ainda que muitos insistem em tentar sair pelo mesmo local de entrada, quando pode haver saídas de emergência mais próximas e seguras em outros pontos da edificação.
Entre as principais recomendações dos bombeiros ao entrar em um estabelecimento coletivo estão: observar se a capacidade máxima de público está sendo respeitada, evitar permanecer em locais com lotação excessiva e identificar a saída de emergência mais próxima assim que chegar. Também é importante verificar se essas saídas estão visíveis, desobstruídas e acessíveis, localizar extintores e hidrantes e checar se não há nada bloqueando esses equipamentos.
Os bombeiros orientam ainda que as pessoas procurem conhecer caminhos alternativos de saída, além da porta principal, e, em caso de emergência, mantenham a calma, sigam para a rota mais próxima e não retornem para buscar objetos pessoais. A recomendação é evitar empurrões, ajudar a manter o fluxo organizado e, ao perceber qualquer situação de risco, deixar o local imediatamente e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.



Fonte: Corpo de Bombeiros Militar do Paraná
Imagens: Paulo Vieira/SESP














