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Elas abrem caminho no cais: irmãs fazem história como primeiras estivadoras no Porto de Paranaguá

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Eduarda e Fernanda: irmãs que fazem história no cais. Foto: Claudio Neves / Portos do Paraná

Duas mulheres, um marco. Eduarda e Fernanda Garcia da Costa, irmãs gaúchas de sangue e coragem, escreveram um novo capítulo na história do Porto de Paranaguá ao assumirem, neste mês de maio, funções como estivadoras — as primeiras mulheres a conquistarem esse espaço no cais local. No último sábado (10), elas estrearam na lida pesada da estiva, quebrando barreiras com cada movimento de trabalho.

Com um histórico de quase mil estivadores atuando nos Portos de Paranaguá e Antonina, a chegada das duas irmãs é simbólica. Não apenas pela representatividade, mas pelo impacto real de ver mulheres assumindo postos até então exclusivamente masculinos. “É um marco para todas nós”, afirma Eduarda, de 27 anos, que trocou o uniforme de garçonete no Rio Grande do Sul pelo capacete e colete da operação portuária no litoral paranaense. “Sempre tive essa meta na cabeça desde que vi duas mulheres passando no concurso em Rio Grande. Quando surgiu a oportunidade aqui, eu vim sem pensar duas vezes.”

Primeiras estivadoras em ação no Porto de Paranaguá. Foto: Claudio Neves / Portos do Paraná

Fernanda, a irmã mais velha, de 33 anos, formada em Direito, também surpreendeu ao entrar para a estiva. Ela sequer planejava prestar o processo seletivo — veio apenas acompanhar o marido na prova. “Mas fui eu quem passou”, conta, entre risos. Filhas de arrumador, elas cresceram vendo o esforço do pai e a rotina portuária do Sul do país, o que acabou plantando uma semente de admiração pelo ofício.

O ingresso de Eduarda e Fernanda faz parte de um movimento mais amplo: incentivar a participação feminina no setor portuário. Em 2022, a Portos do Paraná promoveu adequações na infraestrutura, como a instalação de banheiros femininos no cais. Mais recentemente, o processo seletivo do Ogmo (Órgão Gestor de Mão de Obra) deu um passo além — adotou o critério de desempate por gênero para favorecer a inclusão de mulheres.

Dos 7.415 inscritos na seleção, 815 eram mulheres. E 37 delas conquistaram a tão disputada vaga como Trabalhadoras Portuárias Avulsas (TPAs). Entre elas, 14 foram aprovadas como estivadoras, duas como arrumadoras, 15 como conferentes e seis como vigias. Muitas ainda aguardam a convocação.

“Estamos construindo um ambiente de trabalho mais respeitoso, mais igualitário. E essas mulheres têm muito a nos ensinar”, afirmou João Fernando da Luz, presidente do Sindicato dos Estivadores de Paranaguá e Pontal do Paraná.

Início de uma nova jornada no setor portuário. Foto: Claudio Neves / Portos do Paraná

O Ogmo também criou o programa Companheiros de Jornada, que incentiva trabalhadores experientes a acompanharem e apoiarem os novatos. Um reforço importante para quem está começando em uma atividade exigente como a estiva. Para a diretora executiva do órgão, Shana Bertol, esse momento representa a concretização de um sonho. “Lá atrás, idealizamos um porto mais diverso. Hoje, vemos isso se tornando realidade. É emocionante.”

A chegada das irmãs Garcia da Costa não é apenas uma conquista pessoal, mas uma inspiração para outras mulheres, especialmente parnanguaras, que agora veem no porto não apenas uma possibilidade de trabalho, mas um território que também pode ser delas.

“Esperamos que a nossa história incentive outras mulheres a se inscreverem nas próximas seleções. Lugar de mulher também é no cais”, resume Fernanda.

E assim, com força, coragem e propósito, Eduarda e Fernanda não apenas descarregam navios — elas carregam nos ombros o peso simbólico de uma mudança que já começou.

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