Os sintomas podem confundir, febre, dores abdominais e cansaço extremo, mas é bom ficar atento: pode ser malária. Ela é uma doença infecciosa causada pelo parasita do gênero Plasmodium, transmitido ao homem, na maioria das vezes pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados, também conhecido como mosquito-prego. Mas o que pouca gente sabe, é que também pode ser transmitida pelo compartilhamento de seringas, transfusão de sangue ou até mesmo da mãe para o feto durante a gravidez.
De acordo com dados do Instituto Fiocruz, entre janeiro e março deste ano, o Brasil registrou uma redução de 26,8% nos casos de malária (25.473 casos), em comparação com o mesmo período do ano passado (34.807 casos).
Já em Paranaguá, a Secretaria Estadual de Saúde (SESA), afirma que não há registro de transmissão de casos autóctones (não “importados”) há dois anos, o que indica que a doença não está sendo transmitida por mosquitos locais.
“A maioria dos casos de malária no Paraná é importada, principalmente de áreas endêmicas como a região amazônica. No caso de Paranaguá, por se tratar de uma cidade portuária, a doença chega por meio dos navios geralmente do Sul da África ou da Ásia, onde é comum a presença do mosquito transmissor”, explicou Jean Albini, chefe do setor de Epidemiologia da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
Apesar da ausência de transmissão local, a vigilância epidemiológica é importante também para casos importados e para quem costuma trafegar pelas áreas de risco. A Secretaria recomenda ainda que turistas de áreas com altos índices de malária, como a região norte do país (Amazônia), tomem precauções para evitar a infecção.
Ainda não existe uma vacina contra a malária, porém podem ser indicados como profilaxia alguns medicamentos como cloroquina (ou hidroxicloroquina), além do uso de repelentes e roupas que protejam a pele, não deixando-a tão atrativa aos mosquitos.
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CASOS IMPORTADOS
Na última semana, o comandante do navio Lady Dimine, atracado no Porto de Paranaguá, precisou de atendimento médico imediato após a operadora responsável pela embarcação reportar um caso suspeito de malária a bordo. As autoridades portuárias foram notificadas, assim como a Sesa, que realizou os primeiros atendimentos. O tripulante foi diagnosticado positivo com a doença e levado ao Hospital Paranaguá, onde está internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). “O paciente já recebeu todo o protocolo preliminar para tratamento da malária fornecido pela Secretaria de Saúde e segue internado aguardando remoção”, afirmou Albini, da Sesa.
De acordo com informações levantadas com exclusividade pelo portal de notícias O LITORAL DO PARANÁ, durante a rotina de exames o paciente apresentou ainda uma infecção severa de pulmão, o que prejudicou ainda mais o seu estado de saúde.
RECORRÊNCIA
Há 10 anos, um tripulante indiano Pramoda Kumar Pattanaik, de 41 anos, morreu vítima de malária. A vítima chegou ao Brasil no navio MV Baltic Phanter, da Costa do Marfim, Sul da África. Um outro tripulante, da mesma embarcação, apresentou sintomas semelhantes e também precisou de atendimento médico. O caso foi confirmado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela Brazilian Ports Agent, a operadora do navio.
Quinze dias após a sua partida em águas internacionais, a embarcação chegou à Paranaguá com os dois tripulantes já enfermos. Imediatamente as autoridades portuárias foram relatadas e os primeiros protocolos realizados. De acordo com depoimento de um dos médicos em 2014, “os homens apresentavam desconforto e muitas dores abdominais, indicando um estágio já agravado da doença. Um deles teve o quadro clínico evoluído para parada cardíaca e hemorragia cerebral, e não resistiu”, disse.
Na época, parte da comunidade portuária chegou a suspeitar que se tratava de uma contaminação pelo vírus Ebola, que é epidemia em países da África como Serra Leoa, Guiné, Libéria e Nigéria. A Anvisa informou que “em nenhum momento, este caso foi tratado como suspeita de Ebola.”












