Sensações diferentes de dor de cabeça — como aperto, latejamento, náusea e alterações visuais — ajudam médicos a identificar o tipo de cefaleia e definir o melhor tratamento.
O que é cefaleia tensional
A cefaleia tensional é o tipo mais comum e costuma causar sensação de peso ou aperto dos dois lados da cabeça, às vezes se estendendo para pescoço e ombros. Ela aparece com frequência em fases de estresse, sono ruim, ansiedade ou esforço visual prolongado, e geralmente não vem acompanhada de náusea intensa ou grande sensibilidade à luz.
Especialistas explicam que tanto a tensão quanto a enxaqueca podem ser desencadeadas pelo estresse, mas o padrão da dor e os sintomas associados são diferentes em cada quadro. O uso prolongado de telas também favorece tensão muscular, piora do sono e sobrecarga visual, combinação que pode aumentar a frequência das crises.
Enxaqueca: mais que “uma dor forte”
Na enxaqueca, a dor tende a ser pulsátil, mais intensa e muitas vezes concentrada em apenas um lado da cabeça, embora possa alternar de lado. Durante as crises, é comum que a pessoa tenha náusea, vômitos, forte sensibilidade à luz, barulho e cheiros, além de dificuldade de se concentrar em tarefas simples.
Em cerca de um terço dos casos, a enxaqueca vem acompanhada de aura, com alterações visuais como flashes, pontos brilhantes, visão embaçada e formigamento, podendo ainda haver tontura e fala enrolada. Neurologistas relatam que muitos pacientes passam anos recorrendo apenas a analgésicos, até que a dor muda de padrão e se confunde com tensão muscular ou dor cervical, o que atrasa o diagnóstico e favorece a cronificação.
Quando o remédio passa a causar dor
O uso repetido de analgésicos pode levar à chamada cefaleia por abuso de medicação, em que o próprio remédio passa a fazer parte do problema. Nesse quadro, o cérebro responde pior aos estímulos de dor após exposição frequente aos medicamentos, e a pessoa começa a ter dor de cabeça em 15 dias ou mais por mês, usando remédios de forma regular há mais de três meses.
Muitos pacientes acabam desenvolvendo uma espécie de dependência: a dor melhora parcialmente e logo volta, mantendo um ciclo difícil de quebrar. Medicamentos combinados com cafeína, opioides e alguns tratamentos específicos de enxaqueca estão entre os mais associados à cronificação das crises.
Sinais de alerta: quando procurar ajuda urgente
Apesar de a maioria das dores de cabeça ser benigna, alguns sintomas pedem atendimento médico imediato. Entram nessa lista a dor súbita e muito intensa, perda de força, alteração da fala, perda visual, convulsões, febre associada à cefaleia, confusão mental, dor após trauma e piora progressiva ao longo dos dias.
Nessas situações, a dor de cabeça pode estar ligada a quadros graves, como meningite, hemorragias cerebrais e AVC. Especialistas também indicam investigação quando a dor aparece em três ou mais dias por mês durante pelo menos três meses seguidos.
Novos tratamentos e cuidados diários
Nos últimos anos, surgiram tratamentos direcionados aos mecanismos da enxaqueca, como anticorpos monoclonais anti-CGRP e comprimidos da classe dos gepants. A Anvisa aprovou recentemente o Nurtec ODT, primeiro medicamento oral com rimegepanto no Brasil para tratar e prevenir crises, que dissolve na boca e bloqueia a ação de uma proteína ligada à inflamação e à transmissão da dor.
Mesmo com essas novidades, neurologistas ressaltam que o remédio, sozinho, não é suficiente para o controle das crises. Sono regular, atividade física, boa alimentação, hidratação e manejo do estresse seguem sendo pilares do tratamento, em um contexto em que a enxaqueca ainda é pouco diagnosticada e tratada, apesar do forte impacto na qualidade de vida e na rotina.
Fonte: G1
Imagens: AdobeStock












