Resgate internacional continua entre escombros em meio ao aumento da crise humanitária e milhares de desaparecidos
Uma semana após os terremotos que atingiram a Venezuela, o país ainda enfrenta uma das maiores tragédias de sua história recente. O número de mortos se aproxima de 2 mil, enquanto equipes de resgate continuam trabalhando em áreas destruídas para tentar localizar sobreviventes e encontrar desaparecidos.
Segundo estimativas divulgadas por organismos internacionais e autoridades que acompanham a operação, os danos provocados pelos tremores já chegam a aproximadamente R$ 34,5 bilhões. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por ajuda humanitária diante da destruição de infraestrutura básica e da dificuldade de atendimento à população.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 50 mil pessoas seguem desaparecidas. Cerca de 1,8 milhão de moradores necessitam de assistência humanitária urgente, incluindo aproximadamente 680 mil crianças. A entidade também demonstrou preocupação com o abastecimento de alimentos e com o risco de aumento de doenças, já que parte dos hospitais foi danificada e os serviços de saúde operam acima da capacidade.
Os dois terremotos ocorreram na noite da quarta-feira da semana anterior e tiveram magnitudes 7,2 e 7,5, com intervalo de apenas 39 segundos entre um tremor e outro. Considerado o evento sísmico mais intenso registrado no país em mais de cem anos, o impacto foi sentido inclusive em regiões do Norte do Brasil.
Em meio ao cenário de destruição, equipes brasileiras seguem mobilizadas para auxiliar nas buscas. Entre os profissionais enviados estão bombeiros do Paraná, que participam da missão internacional de busca e resgate concentrada principalmente na região de La Guaira, uma das mais atingidas pelo desastre.
Os militares atuam em turnos operacionais de até 12 horas seguidas e interrompem os trabalhos apenas para hidratação e revezamento. A prioridade neste momento é acessar estruturas colapsadas mais profundas, onde ainda existe possibilidade de encontrar pessoas com vida.
A missão brasileira chegou ao território venezuelano na sexta-feira (27) e é coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC). O trabalho envolve reconhecimento técnico das áreas destruídas, avaliação estrutural e utilização de equipamentos especializados e cães farejadores para localizar vítimas.
Segundo integrantes da operação, o desafio atual é ainda maior porque as áreas de acesso mais simples já passaram por buscas iniciais. Agora, os resgates exigem procedimentos mais demorados, análises técnicas e entrada controlada em locais considerados instáveis.
O Paraná enviou dez bombeiros militares para integrar a missão, além de dois cães de busca e cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados. O grupo faz parte da equipe brasileira de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas (BREC), que reúne profissionais treinados para atuar em desastres de grande escala.
Mesmo após vários dias desde os tremores, especialistas afirmam que ainda existe possibilidade de localizar sobreviventes em bolsões de ar formados entre os escombros, fator que mantém o ritmo intenso das operações internacionais.
Fonte: R7, Governo do Estado do Paraná
Imagens: Miguel Medina/Reuters e CBMPR












