quinta-feira , 1 outubro 2026
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Operação Horímetro: Ex-secretário é preso e vice-prefeito afastado em Morretes

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A Polícia Civil do Paraná cumpriu, nesta quinta-feira (30), quatro ordens judiciais na Fase II da Operação Horímetro, que investiga um esquema de corrupção, fraudes em contratações públicas, peculato e lavagem de dinheiro em Morretes, no Litoral do Estado. A ação é conduzida pela Delegacia de Morretes e teve apoio do Ministério Público do Paraná e da Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Homicídios, em atuação conjunta entre os dois estados.

Entre as medidas decretadas pela Justiça estão mandado de prisão preventiva e busca e apreensão domiciliar contra um ex-secretário municipal de Infraestrutura, além de medidas cautelares contra o vice-prefeito e o superintendente municipal de Obras e Projetos. Mesmo mantendo endereço em Morretes, o ex-secretário foi localizado em um condomínio na cidade do Rio de Janeiro, onde acabou preso e depois encaminhado ao Presídio de Benfica.

No caso do superintendente, a decisão judicial determinou o afastamento imediato do cargo de Superintendente de Obras e Projetos, bem como de qualquer outra função pública que ocupe na Prefeitura. Para o vice-prefeito, a medida foi a suspensão do exercício do cargo, impedindo sua atuação à frente do Executivo municipal. Os dois investigados também estão proibidos de frequentar a Secretaria Municipal de Infraestrutura, o Pátio de Máquinas e Obras e outros setores públicos citados na ordem, além de terem restrito o contato com testemunhas, servidores e demais investigados, sob pena de terem a prisão preventiva decretada em caso de descumprimento.

A investigação em andamento mira possíveis fraudes em contratos firmados pelo Município, além de suposto pagamento de vantagens indevidas por empresas a agentes públicos. Também são apuradas reuniões em que teriam ocorrido pedidos e negociações de propina, além de transferências de recursos para servidores municipais, pessoas de confiança e integrantes de seus núcleos familiares, o que amplia o alcance das apurações.

Os policiais apontam ainda para o uso de contas bancárias em nome de familiares, terceiros e pessoas interpostas, conhecidas popularmente como “laranjas”, para receber, movimentar, ocultar e dissimular valores que seriam provenientes de atos de corrupção e de pagamentos feitos por empresas contratadas para serviços e obras públicas em Morretes. O objetivo é detalhar a participação individual de agentes públicos, empresários e outros envolvidos, identificando a origem e o destino dos valores movimentados e quais operações estariam diretamente ligadas aos crimes investigados.

A primeira fase da Operação Horímetro ocorreu em 1º de abril de 2026, quando a PCPR cumpriu dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados. Naquele momento, foram recolhidos celulares, computadores, documentos e outras mídias eletrônicas, material que, após análise, ajudou a aprofundar as linhas de investigação, revelar novos vínculos entre os suspeitos e embasar as medidas judiciais agora executadas na segunda etapa.

Com a continuidade dos trabalhos, a PCPR identificou um esquema de dimensão maior do que o inicialmente apontado, envolvendo novos contratos administrativos, suspeitas de fraudes, movimentações financeiras consideradas atípicas e o uso recorrente de pessoas interpostas para ocultar e circular recursos. Diante desses novos elementos, foram cumpridas mais quatro ordens judiciais nesta quinta-feira, somando-se aos dois mandados da primeira fase e totalizando seis medidas judiciais executadas ao longo da investigação.

As análises bancárias e financeiras realizadas indicam que o núcleo formado pelos principais alvos e pessoas diretamente ligadas a eles movimentou cerca de R$ 43,9 milhões em créditos e débitos no período examinado. Ao incluir outras pessoas físicas e jurídicas alcançadas pelas diferentes frentes da apuração, essa movimentação supera R$ 100 milhões em entradas e saídas verificadas nas contas e operações analisadas, valor que ainda será detalhado quanto à origem, destino e natureza de cada transação.

O inquérito segue em andamento para determinar quais operações financeiras têm relação direta com os fatos criminosos sob investigação. As diligências prosseguem, com o material apreendido passando por análise técnica e perícia especializada, e o procedimento continua tramitando sob sigilo judicial. Ao final da investigação, os resultados poderão embasar novas medidas judiciais e possíveis denúncias contra os envolvidos.

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